Sair do armário, para muitos de nós, pessoas LGBTs, é um processo que pode levar um tempo tão individual, que é fortemente influenciado por questões estruturais de homofobia internalizada, família, religião, formação escolar e política, bem como de autoaceitação e conflitos geracionais.

Então é vale a pena traçar um recorte a partir do que LGBTs de gerações anteriores pensam sobre ser gay e se aceitar enquanto gay e o que as gerações de agora pensam sobre o mesmo, para que seja possível entender como a educação e o ativismo LGBT mudou a cabeça (para melhor) de muitos de nós.

Gerações passadas – Quando a luta não tinha caminhos políticos estabelecidos, a gente internalizava que ser gay era ser solitário, era sexo com dor, que precisava esconder de todos, que contraía mais doenças e isso levou homens gays passarem décadas de suas vidas negando sua orientação em uma bolha de sofrimento que permanece até os dias atuais. Gays mais velhos têm mais dificuldade de falar abertamente sobre sua sexualidade e se afirmar enquanto LGBT. Para essas pessoas, o problema é ele, o “erro” está nele.

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O gay de hoje – Os contextos mudaram e não que o jovens LGBTs não possuam enfrentamentos, mas sua visão sobre sua orientação é mais aberta ao diálogo e à abertura para sair do armário, a aceitação é um processo menos demorado e o problema são os outros, família, amigos, gente do trabalho, que terão, de alguma forma, que aceitar e respeitar sua subjetividade. Ou seja, para essa geração, o problema são os outros.

Sair do armário é um ato político

Mas e aí, eu tenho que sair do armário, então? SIM. Essa é a única resposta possível. O fato é que muitos LGBTs ainda pensam que a saída do armário é um exposed que você promove sobre sua vida sexual, sobre intimidades e até “virar afeminado e soltar a franga” como alguns insistem em rotular sempre que o assunto vem à tona no Canal Bee40tona.

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Viver uma vida criando subterfúgios e mentiras para sustentar uma imagem de alguém que não reflete o que você é nada mais é que uma vida de dor e de riscos, viver sob ameaças de alguém “descobrir” sobre você e uma bola de neve que vai despencar sobre sua cabeça, e quanto mais tarde, mais pesada ela é.

Sair do armário é nada mais que exigir que família, amigos, gente do trabalho, todo mundo, respeite e compreenda a sua existência como ela é. Ainda precisamos sim, demonstrar às pessoas a nossa compreensão (não se assumir, porque não temos culpa) mesmo que pessoas hétero não precisem fazer. É esse o momento em que encontramos paz de viver sem medos, enfrentar a LGBTfobia que vai surgir a partir dessa saída e receber força e apoio dos nossos.

Por que sim, o segundo enfrentamento após sair do armário é exatamente o de ter que lidar com a LGBTfobia que o mundo está pronto para nos “oferecer”, mas esse medo não pode ser maior que o de viver à espreita da mentira e da humilhação de se esconder pra sempre. cada um do seu jeito, na sua hora, para as pessoas que achar certo, mas livre e orgulhoso de quem você é!