Kyle Taylor, um homem gay e diretor do Fair Vote Project, decidiu processar o Facebook depois de descobrir que era mais uma dentre as mais de um milhão de pessoas cujos dados foram roubados da rede social e passado a empresas terceiras.

Imagina se a moda pega e todo mundo quer uma indenização, o que vai ser de Mark Zuckerberg?

Kyle descobriu que depois de participar de um teste online do aplicativo “This Is Digital Life”, ele teve seus dados coletados.

O conteúdo foi parar nas mãos da Cambridge Analytica, empresa envolvida no recente escândalo do vazamento de dados privados de usuários do Facebook, vendidos a empresas terceiras e mal intencionadas que manipularam logarítimos e informações que chegavam nas pessoas, sendo que esta atitude em si pode ter influenciado até mesmo no resultado da corrida presidencial americana.

Kyle Taylor vai processar o Facebook após vazamento de dados.

Kyle Taylor contou ao Gay Star News que decidiu processar o Facebook principalmente por ser gay: “LGBTs tem informações pessoais e que muitas vezes não compartilham com o resto do mundo. Qualquer pessoa que se envolva com uma empresa de dados que tenha usado esses esquemas pode usar dados aparentemente privados para segmentar uma pessoa com base em sua orientação sexual”, contou ele.

Pode parecer pouco ter anúncios e notícias específicas direcionados a você exclusivamente, mas todas essas informações estão sob pose de terceiros e ainda podem ser usadas de maneira muito mais maliciosa e prejudicial.

Um exemplo real é a história do britânico Paul Brownsey, um homem gay que afirmou que, baseado em seu histórico de navegação e contatos, o Facebook deduziu que ele era gay. Sendo assim, ele teve vários anúncios inoportunos de teste de HIV sendo veiculados por semanas em seu computador, mesmo no trabalho: “Alguém podia passar atrás de mim ou estar em meus ombros passando algum trabalho e aparecia algum anúncio de teste de HIV por um logaritmo que me assumia como uma pessoa de risco e potencial consumidor apenas por me relacionar com outros homens, expondo um dado pessoal e sigiloso se assim eu quiser”.

Segundo Kyle, o resultado pode ser ainda pior: “Os dados também podem identificar pessoas que são homofóbicas. Isso pode permitir que as pessoas direcionem postagens para quem já não gosta da comunidade LGBTI, e com isso provocar mais ódio.”

”Esses dados privados – possivelmente incluindo orientação sexual – foram obtidos sem o consentimento. O Facebook têm que responder a isso.”, defendeu ele.

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Taylor diz estar em contato com várias pessoas dentre as mais de 1 milhão que tiveram dados pessoais invadidos e vendidos a terceiros. Ele lidera o projeto “Fair Vote Project”, que alerta o perigo desse vazamento de dados e pede por uma eleição justa sem a influência desonesta de algoritmos em seu resultado.

Sua esperança processando a rede social e levando o exemplo a público, é ‘penalizar o Facebook por quebrar a Lei de Proteção de Dados’ e agir como um primeiro passo para responsabilizá-los no escândalo.

“As implicações desses dados sendo entregues a terceiros não são de forma alguma menores e podem ter mudado o curso das eleições. Seus dados podem fazer parte do escândalo, mesmo que você não tenha logado com o Facebook no aplicativo This Is Digital Life. Isso porque, se algum de seus amigos do Facebook fizer login, eles podem ter exposto seus dados para serem usados também.”, explicou ele.

Taylor é apenas um dos quatro homens gays envolvidos nessa história. O mais famoso é o agora ex-funcionário da Cambridge Analytica, Chis Wylie, que entregou a empresa e seu esquema de vazamento de dados às autoridades. Ele afirma que nem a eleição de Trump e nem o Brexit teriam os mesmos resultados caso o Facebook não tivesse tido informações manipuladas entregues a determinados usuários na época.

Também há Shahmir Sanni, que foi desmascarado pelo governo do Reino Unido durante a campanha do Vote Leave que pedia pelo Brexit. Ele alega que houve uma coordenação ilegal em relação a campanha que ele dirigiu, o BeLeave.

A Comissão Eleitoral remeteu agora o caso para a polícia do Reino Unido para uma investigação mais aprofundada.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).