O comentário do youtuber Whindersson Nunes, na tentativa de defender o direito de sua esposa usar uma roupa sexy, dividiu opiniões na Internet. Teve gente que disse que ele está correto por simplesmente reconhecer o direito dela usar um look mais provocante de maneira nada hipócrita, e teve quem disse que ele acabou sendo ainda mais machista objetificando Luísa Sonza.

Acontece que a roupa usada por ela no Festival Milkshake era bastante transparente, e com isso, nos comentários da foto onde ela aparecia com o look, choveram marcações a Whindersson o chamando de “corno” ou questionando “como ele deixava ela usar aquilo” (aff… por que não me surpreendo com o brasileiro médio?). Veja o look abaixo:

 

Whindersson polemizou ao responder as críticas em um vídeo, afirmando: “Tá gostosa? Tá bonita? Então bata uma punheta e vá dormir. O povo usa biquíni que não tem nem pano, enfia dentro do cu, e vai… beleza, ninguém tem nada [com isso]. Aí bota uma roupinha que mostra a bunda, pronto: ‘é vulgar, nem parece que tá casada’. Meu Deus, vocês…”. Veja no vídeo abaixo:

Na Internet, muita gente aplaudiu Whindersson, que por um lado se mostrou maduro e nada machista ao reconhecer o direito de Luisa se vestir como bem entender. Mas também teve quem classificasse o comportamento dele como machista, ao objetificar a mulher dizendo para quem gostou, se masturbar olhando pra ela.

Os dois estão casados desde fevereiro. Ao ver a defesa do marido, Luísa escreveu: “O corpo é meu”, e sobre a atitude dele, afirmou: “Entenderam por que eu casei com ele?”.

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Minha opinião pessoal:

Sinceramente, acho que Whindersson foi acima de tudo honesto. A gente fantasia e muitas vezes pode até se masturbar pensando em pessoas que julgamos atraentes por aí. Qual o problema desde que a gente não assedie ou invada o espaço da mesma sem consentimento? Whindersson pode até ter dito demais, fato. Poderia ter guardado pra ele, mas não disse nenhuma mentira.

O mais legal na atitude, a verdadeira metade cheia desse copo (que me parece bem mais que a metade!) – que problematizadores se recusam a enxergar – é ver que um cara influente como ele, brasileiro, nordestino criado na nossa cultura machista, que é casado e nem por isso deixa de entender o direito de sua esposa em se vestir como bem entender, quando muitas vezes, em um país machista como o Brasil, homem se acha no direito de julgar e até proibir uma mulher de se vestir como ela quiser.

Oras, como já li por aí: Roupa curta não é justificativa para assédio ou abuso sexual. Se as lésbicas – mulheres que gostam de mulheres – mesmo achando mulheres bonitas não saem por aí dizendo baixarias ou até tocando sem consentimento pessoas desconhecidas, o problema, definitivamente está nos homens, no machismo e principalmente na sua falta noção e educação básica.

Prova disso é que, basta viajar a qualquer país de primeiro mundo onde educação básica é fundamental, pra ver que mulheres agem com muito mais liberdade, VIVEM E ANDAM PELA CIDADE SEM MEDO, e os homens, por mais que se atraiam, a maioria pelo menos tende a respeitá-las, ao contrário do Brasil. A diferença é visível até na postura delas que vivem muito menos oprimidas e coagidas do que por aqui.

O macho escroto médio brasileiro não pode ver um rabo de saia que precisa comentar, assobiar, tocar, como se a mulher fosse propriedade dele. Tudo pra provar que é macho? Aí quando um gay OLHA pra ele na rua, acha um absurdo. Como diria Regina Duarte: Tá certo isso?

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).