No novo documentário Seahorse, ou Cavalo-Marinho pela tradução literal do título, será mostrado todo processo de gestação de um homem trans. Ele é o jornalista do jornal britânico The Guardian, Freddy McConnel.

O título “Cavalo-Marinho” não poderia ser mais adequado como metáfora para a obra, uma vez que, na natureza, entre os cavalos-marinhos, é o macho que engravida.

O filme questiona o mito de que um homem trans é necessariamente infértil apenas por tomar hormônios, embora isso possa acontecer. Ainda assim, McConnel teve uma gravidez planejada e decidiu parar a hormonização para facilitar a fecundação e conseguir engravidar.

O processo entretanto teve percalços. A decisão de se parar a hormonização não foi nada fácil para ele, sendo um processo psicologicamente, emocionalmente e fisicamente desafiador e contra sua própria natureza como um homem trans, ainda que tenha sido com objetivo de realizar o sonho de ser pai gerando seu filho biológico.

No documentário, à medida que as semanas passam, estrias naturalmente aparecem e o corpo vai se modificando, assim como surge falta de apetite, enjôos, perda de libido e desconforto.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

A co-estrela do documentário é a mãe do rapaz, Esme McConnel. É ela que lhe dá todo apoio e força durante todo processo e sobretudo nos momentos mais difíceis.

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Cartaz do filme Seahorse: o pai que deu a luz.

À medida que os efeitos da ausência da terapia hormonal se fazem presentes e a gravidez avança, McConnel reflete sobre sua própria identidade como homem e transgênero. A edição colabora ao mostrar vídeos de sua infância enquanto ele reflete: “Me sinto um homem da mesma forma que sempre, só que agora fazendo algo totalmente estranho. Meio um alien”, diz ele em parte do documentário.

Apesar de focar em sua gravidez e obstáculos, o documentário é sobretudo um filme sobre família, ou como a diretora Jeanie Finlay coloca: “É acima de tudo uma história de amor e sobre todo tipo de relacionamento”.

A jornada de McConnell para se tornar pai é complicada, reconfortante e frustrante, mas o que é claramente óbvio é o quanto é desejado e natural para ele.

Sobre sua visão sobre ser homem e ser pai, ainda que gerando seu filho biologicamente, nada muda: “Estou apenas usando meu ‘hardware’ – que torna isso possível – para fazer a coisa certa para mim”.

Seahorse documentary
Freddy desiste da testosterona temporariamente para gerar e dar a luz ao seu filho.

Sendo lançado e já premiado nos festivais Tribeca Film Festival, Hot Docs Documentary Festival, Sheffield Doc/Fest, Frameline San Francisco LGBTQ+ Festival, Doxa Documentary FF, Vancouver, QDoc Film Festival, Portland, Doc Edge Festival e no New Zealand Melbourne Intl Film Festival até agora, o filme está sendo aclamado pela imprensa.

“Ele é único, mas é um de nós”, disse o The Guardian. “Um documentário que te envolve, te enche de empatia e afeto”, disse Mark Kermode. “Diz tudo sobre família, amor e sobre o corpo”, disse Jennie Livingstone, diretor de Paris is Burning.

Seahorse estreia dia 30 de agosto nos cinemas do Reino Unido, ainda sem previsão de estreia no Brasil. Assista ao trailer:

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).