O cantor Sam Smith se identificou publicamente como  genderqueer não-binário pela primeira vez.

O cantor de “Stay With Me”  participou do primeiro episódio do show  “I Weigh Interviews” da atriz Jameela Jamil.  Na estreia do  programa no Instagram, o cantor e compositor britânico abordou temas delicados de sua vida pessoal, como sua questão com o próprio peso e sua não-binaridade de gênero. Sam disse que, às vezes, ele pensa até na possibilidade de uma cirurgia de redesignação sexual.

 Jameela disse que foi um “privilégio” ter entrevistado Sam Smith. Quando perguntado sobre sua identidade de gênero, ele disse que nunca falou anteriormente sobre o assunto e que ainda não está completamente certo sobre isso, mas sentiu que as histórias de pessoas que saíram como genderqueer e não-binárias tinham a ver com ele.

Sam Smith e Jameela Jamil.

“Eu sempre tive uma pequena guerra no meu corpo e na minha mente”, disse Smith. “Eu penso como uma mulher às vezes, na minha cabeça. Às vezes eu questionei “Eu quero uma mudança de sexo?” E é algo que eu ainda penso, como: “Eu quero?”

Ele acrescentou: “Mas eu não acho que seja isso. Quando eu vi as palavras “não-binário” e “genderqueer” e li para ele e ouvi essas pessoas falando, eu fiquei tipo “F ** k, sou eu”. Ele respondeu: “O genderqueer não-binário significa que você não se identifica em um gênero. Você é apenas você! Você é sua própria criação especial. É assim que eu me vejo. Eu não sou homem nem mulher. Eu acho que flutuo em algum lugar no meio – um pouco no espectro”, explicou, traçando em seguida um paralelo com a orientação sexual.



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Smith disse que aplica a mesma compreensão fluida à sexualidade. “Eu estive com muitos homens heterossexuais para saber que nem todos que dizem que são heterossexuais são totalmente heterossexuais. Às vezes você pode gostar de fazer um pouco disso aqui e um pouco disso. Você se apaixona por pessoas, não por genitais. Eu sempre fui muito livre em termos de pensar sobre sexualidade. Eu tentei mudar isso em meus pensamentos sobre gênero. Talvez eu não seja homem. Talvez eu não seja mulher. Talvez eu seja só eu. E tudo bem“, concluiu Smith a Jameela.

Na mesma conversa, Sam ainda desabafou sobre sua já antiga insatisfação com o que vê ao se olhar no espelho. “Eu tinha seios completos e fiz uma lipoaspiração. Eu tinha 12 anos. Eu acho que na época eu fiquei muito feliz com isso. Mas realmente não mudou nada. Acho que voltei para o peso anterior em duas semanas, porque eu não tinha entendido o meu relacionamento com a comida. Mas ter 12 anos e fazer uma lipoaspiração no peito é um grande problema. Isso foi a base de toda a minha tristeza”, declarou, acrescentando ter sofrido muito com o bullying.

“Eu tive algumas situações horríveis na escola com os meninos. Um cara agarrou meu peito uma vez e brincou com ele na frente de todos os seus amigos. Eu costumava fazer minha mãe escrever bilhetes para a escola quando eu tinha oito anos, para eu não ter que ir para as aulas de natação, porque eu teria que segurar meu peito assim“, disse ele, cobrindo o peito com os braços. “Literalmente, tudo que já me fez ficar triste tem a ver com meu peso. Eu luto com isso todos os dias. Eu comecei a terapia há um ano e é por isso que estou fazendo isso, e é por isso que estou começando a me aprofundar e perceber que é em parte por isso que fico triste“, refletiu Smith.

Por fim, o cantor ainda relacionou o machismo com a dificuldade dos homens em falarem sobre peso e imagem corporal. “Não parece viril falar sobre como me sinto em meu corpo todos os dias. Mas é contra isso que estou tentando lutar”, finalizou.

Veja a entrevista em inglês: