Em um vlog postado em seu canal do Youtube muito antes de entrar no BBB, Thelminha Assis fez um desabafo sobre situações de racismo que encontrou na sua vida ao ser a única aluna negra de um curso de medicina com mais de 100 alunos.

Infelizmente não erasó a diferença social que afastava Thelma dos demais alunos cujo “kit universidade” eram carro e apartamento próprio dado pelos pais por passar em medicina enquanto ela, sendo a única negra dentre mais de 100 alunos, ganhava R$ 300 reais por mês e se almoçava em restaurante de R$ 1 do governo pra conseguir se manter no curso com dificuldade de comprar até os livros exigidos. Foram também situações de racismo explícito partindo até do próprio corpo docente da instituição.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

“Em uma aula da faculdade, tive de ouvir um professor de ginecologia obstetrícia conceituado, que já escreveu livro, que negros deviam se concentrar em fazer esportes porque tem melhor rendimento nos esportes, enquanto a parte científica e de inteligência deveria ficar somente com os brancos”, disse ela.

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Ela continuou: “Como eu me senti diante de um professor que até livro escreveu e disse isso na frente de uma sala onde eu era a única negra? Fui obrigada a aceitar e colocar na minha cabeça que ele era muito idoso e não conseguiu se atualizar e mudar sua opinião sobre esse assunto, que ele viveu lá no século passado”. 

Assista abaixo se tiver estômago:

Em outro momento do vídeo, Thelma, que hoje é anestesista e já trabalhou em três hospitais, fala sobre como as pessoas duvidam de sua profissão mesmo no meio médico, sempre achando que ela é a auxiliar ou técnica de enfermagem por ser a única negra nas equipes.

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“Nem o paciente acha que sou eu a anestesista”, disse. E deu exemplo de uma situação vivida: “Uma pessoa chegou pra mim e pediu pra que eu abrisse os materiais da cirurgia pra ela, me dando outra função. Eu falei: ‘Eu sou a anestesista, estou cuidando do paciente’ e ela respondeu: ‘Ah, não percebi!”. Assista abaixo:

O vídeo todo ainda traz muitas reflexões sobre o racismo, o racismo estrutural e a desigualdade e segregação social e racial do Brasil, que infelizmente em 2020 ainda continuam caminhando juntas. Assista abaixo:

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).