Várias artistas trans se pronunciaram sobre o caso Marília Mendonça, que tomou as redes sociais nos últimos dias.

Pra quem não sabe, a cantora sertaneja acabou sendo transfóbica em uma fala com sua banda durante uma live do último final de semana. Após o acontecido, felizmente ela se pronunciou reconhecendo o erro e pediu desculpas, lembrando que tem muito a aprender.

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Pepita postou nos stories de seu Instagram aos seus seguidores: “Que você tenha certeza de quem você está consumindo na sua vida. Sempre vou falar isso nas minhas redes sociais: a gente tem que prestar atenção em quem a gente consome. Às pessoas que ficam achando que a gente tem que se posicionar…Amor da minha vida, eu já me posiciono desde a hora que eu levanto da minha cama para enfrentar a vida. Às vezes eu saio blindada, às vezes eu saio com a benção e a misericórdia de Deus para enfrentar o mundo. A única máscara que uso é a máscara de cílio”, declarou.

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Sobre quem insiste em dizer que a fala de Marília é brincadeira e a reação é exagero da militância, Pepita também falou: “As pessoas sempre vão abrir a boca para falar mer**. Eu tenho certeza que o vaso da minha casa é mais limpo do que a boca de algumas pessoas. Sabe por quê? Elas não vivem a nossa vida, não sabem o que a gente passa. Elas matam um mosquitinho. A gente mata um mosquito por segundo”, posicionou-se.

A cantora Majur se limitou a pedir mais respeito: “Respeitem a nossa existência”, escreveu em um post nas suas redes com uma imagem de várias artistas também trans.

A mensagem de Majur foi repostada por Linn da Quebrada, que adicionou: “Se tem transfobia, se posiciona, gente. Não deixa apenas para pessoas trans e travestis essa tarefa. Sabe quem inventou a transfobia? A cisgeneridade. Então nada mais justo do que todo mundo compreender a importância de somar conosco e não nos deixar sozinhas”.

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Ana Flor lembrou à cantora sobre o meio machista que é o sertanejo, algo que afeta mulheres cis e mulheres trans: “Você sabe que o universo sertanejo é um espaço bem hostil com mulheres cisgêneros, né? Na sua live, você acabou mostrando como ele também pode ser violento para com pessoas LGBTs, mais especificamente, para mulheres trans e travestis.”

Já a cantora Urias retuitou a mensagem da cantora Potyguara Bardô sobre o assunto. “Se relacionar com *pessoas* trans não é motivo de piada, e se vc o faz vc é a piada”, disse.

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Enquanto isso, Jup do Bairro escreveu: “É sempre complicado quando falamos de uma classe que reflete toda uma cultura que desumaniza o corpo trans e travesti. corpos que não importam, facilmente vira números. mas pode ser coincidência que tantos componentes dessa classe artística endosse tanto o atual governo.”

E Potyguara Bardo escreveu resumindo bem a situação: “Se relacionar com *pessoas* trans não é motivo de piada, e se vc o faz vc é a piada”.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).