A atriz Scarlett Johanson é muito talentosa, mas infelizmente não se pode dizer “atualizada” em relação ao mundo de hoje. Alguém podia avisar…

Segundo informações do Screencrush.com, ela acaba de ser confirmada para fazer o papel de um personagem que é um homem trans em um novo filme chamado “Rub and Tug”, que conta a história real de Dante “Tex” Gill, um homem trans que viveu na década de 70.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Dante foi dono de um salão de massagem no distrito de Pittsburgh. Na época, ele lutou contra a máfia local e serviu sete anos de prisão por evasão fiscal.

Embora muitas publicações da época se referissem a ele como “uma mulher que se vestia de homem”, ele era claramente um homem trans em uma época que a questão não tinha sequer nomenclatura ou reconhecimento social ou científico.

Durante toda vida ele foi tratado no gênero com o qual não se identificava, ainda que pedisse às pessoas para chamá-lo de “Senhor Dante”, e claro que ninguém atendia.

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Veja uma foto real do homem que inspirou o filme:

Agora voltando a falar sobre a escalação de Scarlett Johansson… É claro que nenhum ator é proibido de desempenhar qualquer papel e já tivemos muitos atores cis fazendo papéis trans brilhantemente, como no filme Garota Dinamarquesa ou na novela A Força do Querer com Carol Duarte na pele de Ivan.

Mas não é mais novidade o debate sobre a questão da visibilidade e oportunidade que atores cis acabam tirando de atores trans que já encontram tanta dificuldade em conseguir QUALQUER colocação profissional em papéis trans, e que dirá em papéis cis, ainda mais de protagonista.

Não por uma questão de talento ou direito, mas apenas por uma questão de representatividade e noção, Scarlett podia ter passado essa bola para dar a oportunidade a um profissional transgênero, né? Não faria mal e nem a deixaria menos milionária assim. Vai ter problematização da galera e a gente tá avisando, viu linda?

Um exemplo positivo – e que Scarlett poderia seguir – foi o que aconteceu no remake recente do clássico Rocky Horror Show da Fox, em que o papel da travesti que toma conta do castelo mal assombrado na trama, seria de Adam Lambert, que passou o bastão para Laverne Cox dizendo que é importante que as pessoas dêem espaço profissional e oportunidade a pessoas trans, em especial quando este é seu lugar de fala.

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Novamente, não é uma questão de direito, mas empatia e noção. De dar oportunidade. Claro que o ideal seria tanto atores trans quanto cis serem chamados a realizar qualquer papel cis ou trans. Mas a gente sabe que não é isso que acontece na realidade…

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).