Pode-se dizer que a rapper e atriz Linn da Quebrada está em uma de suas melhores fases. Além de atuar em “Segunda Chamada”, série da TV Globo, ela também ganhará um espaço nas telonas com o filme “Bixa Travesty”, dirigido por Kiko Goifman e Claudia Priscilla.

Em entrevista ao O Globo, Linn soltou o que acha sobre artistas que não se posicionam, mas lucram com a causa LGBTQ+, o famoso Pink Money.

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“Não se posicionar já é se posicionar. Não existe neutralidade. Acho que não se posicionar diante de questões que atingem explicitamente o público com o qual você se comunica já é uma maneira de evidenciar que tipo de mercado você quer construir. E que tipo de interação entre aquilo que você produz e aquilo que é consumido, e como você se apropria de certos assuntos quando é interessante e como você se isenta desses mesmos assuntos quando não é interessante para você. São questões são complexas, mas ao mesmo tempo a gente consegue entender como essas decisões são tomadas ou não”, disse a artista. 

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Na ocasião, a rapper também contou sobre o episódio complicado durante as gravações do clipe de “Oração”, seu mais novo single.

“Eu tive todo o cuidado de fazer com que o clipe fosse um espaço de segurança para nós. Encontrei esse espaço que é uma igreja abandonada, fomos à prefeitura, conseguimos autorização para usá-lo, cuidamos de tudo, nos comunicamos com o pessoal do entorno, o comércio local. Todos foram receptivos”, começa ela.

“Só que quando chegou no dia da gravação, apareceu um suposto dono já acompanhado de duas viaturas da polícia, falando que nós deveríamos sair do local imediatamente, mesmo com autorização. E se posicionando de forma violenta, dizendo que se a gente não saísse, iriam quebrar todos os equipamentos. Mesmo que estivéssemos respaldadas pela prefeitura, vi que, quando os homens não querem, não podemos fazer”, explicou Linn.

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“Só conseguimos quando acionamos advogados, e só tivemos uma hora para gravar. Gostaria de desenvolver minhas ideias da forma como eu tinha planejado, mas isso também é um privilégio que só a branquitude e a cisgeneridade têm. Mesmo assim, conseguimos fazer um trabalho lindo, que considero muito potente”, finalizou.

Ainda na entrevista, a artista deu maiores detalhes sobre o seu papel na série da TV Globo. 

“Acredito que a série, assim como qualquer outro material artístico, tem a responsabilidade e a função de inventar isso que eu chamo de um imaginário social. Quando temos esses temas sendo abordados dessa forma com tamanho cuidado, numa rede de TV de tanto alcance, isso também nos ajuda a construir outros valores sociais. Tem essa responsabilidade de expandir nossos horizontes em determinados assuntos”, contou.

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Confira a entrevista completa.