O ator Marco Nanini está de volta aos cinemas na pele de Pedro, um enfermeiro gay, fã de Greta Garbo. É em torno do personagem que a trama de GRETA, longa de estreia de Armando Praça, se desenvolve.

“Deita naquela cama e me chama de Greta Garbo”, sussurra Marco Nanini em uma das cenas do filme. O filme “Greta” descontrói a imagem de pai de família que a TV colou no ator nos últimos anos e o coloca no que talvez seja seu papel mais ousado no cinema. A obra dirigida pelo cearense Armando Praça integra a seleção do Festival de Berlim, que está acontecendo está semana.

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Ambientado em Fortaleza, a obra é livremente inspirada na peça “Greta Garbo Quem Diria Acabou no Irajá”, do dramaturgo Fernando Melo.

No papel do amargurado Pedro, que se afeiçoa a um criminoso hospitalizado, ele tira a roupa e protagoniza cenas ousadas e até mesmo incomodas nesse drama sobre a solidão na cidade grande. “Talvez as pessoas se assustem, espero que não, mas eu também já estou velhinho, daqui a pouco já vou…”, brinca o ator de 70 anos em entrevista para a Folha de São Paulo. “Minha única preocupação nelas é que não botassem a minha barriga na tela grande. Já basta ela com o tamanho natural,” conclui Nanani.

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Desconstruir a imagem do pai da grande família brasileira era um dos objetivos do diretor ao escalá-lo. “Ele é gigantesco, tem uma carreira brilhante de experimentações. E compreende bem o drama e a comédia”, diz o diretor Armando Praça. “Há sempre algo de tragicômico nele, meio ‘clown’. O Nanini é uma Giulietta  Masina”, arremata, citando a musa felliniana.

Para o diretor, o personagem principal é um solitário que “caiu nas armadilhas da indústria cultural, que vende a imagem do homossexual como viril e exuberante. A vida inteira idealizou modelos de beleza, de relação, o que tem muito a ver com ele ser fã da Greta Garbo.”

O ator Démick Lopes, que vive o criminoso, diz que a história tem uma “importância política” por ser lançada em ano de governo Bolsonaro. “Nosso país é muito violento com essa gente.” E levanta a bola para o aspecto da trama, que é o de “explorar a sexualidade das pessoas mais velhas”.

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Greta, produzido pela Carnaval Filmes, será lançado nos cinemas no segundo semestre de 2019, pela Pandora Filmes.

Confira o trailer: