Em uma matéria especial da revista Vogue, a cantora Ludmilla falou sobre a descoberta de sua própria sexualidade.

Ela contou que descobriu que se atraia por mulheres ainda na escola, quando tinha 16 anos: “Soube que uma amiga beijou uma menina. Eu fiquei olhando pra essa garota e passei a vê-la diferente. Foi simples assim. Como é pra qualquer ser humano quando se descobre tendo atração por outra pessoa”.

Ainda que tenha se entendido relativamente de maneira fácil, a história com a família não foi tão simples: “Eu era uma menina da Baixada e sentia muito medo da minha mãe. Na real, eu já achava que ela tinha descoberto. Foi sinistro. Mas o tempo cura os medos e prova pra gente que ser quem a gente é, sempre é melhor, não é?”.

Sobre a reação do público com sua saída do armário ao revelar publicamente seu relacionamento com a bailarina Brunna Gonçalves, Ludmila se disse surpresa na época.

“A crítica a uma mulher preta como eu sempre existiu. Também tinha essa crítica pelo meu jeito de me vestir, pelas minhas atitudes. Então, de alguma forma, eu esperava mais críticas e achei que meus fãs pudessem não entender. E foi uma surpresa foda! Com os meus fãs eu entendo todo dia o poder de ser transparente. Isso me faz crescer e experimentar a liberdade. E liberdade e respeito é algo que toda lésbica quer. Eu me orgulho de ser cada dia mais transparente comigo e com meu público”, disse.

Na entrevista, ela ainda refletiu sobre ser uma mulher lésbica e preta, tendo consciência de que sua atitude em sair do armário publicamente pode inspirar as pessoas: “Aceitar minha condição sexual e me reconhecer como mulher negra são duas coisas que me transformaram real. Eu sei que inspiro e espero poder fazer mais, porque isso é o que chamamos de representatividade. Eu sempre fui uma mulher negra. E existir e fazer sucesso como mulher negra já é uma afronta nesse país”

E concluiu: “Como mulher lésbica eu sei que também posso inspirar as pessoas. Mas cara, mais que um ato político, falar sobre o meu casamento é falar sobre amor, entende? Pode parecer bobo, mas falar de amor nos dias de hoje também é sobre ter coragem. Pode acreditar!”, declarou.

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).