Em Amor Na Vitrine: um olhar sobre as relações amorosas contemporâneas (Ed. Best-Seller), a psicanalista Regina Navarro Lins traz o amor descomplicado em pequenas doses.

O 13º livro da escritora reúne questões ligadas ao amor e ao sexo que ouviu ao longo de 46 anos de atendimento em terapia individual e de casal no consultório. Uma provocação repleta de informações para conduzir a reflexões sobre as possíveis trajetórias das relações amorosas, Amor Na Vitrine colabora para evitar um sofrimento desnecessário e enfrentar os desafios vividos por casais.

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Segundo Regina Navarro Lins, nos últimos cincos anos, casais trouxeram novos conflitos relacionados à relação não monogâmica: “Os relacionamentos estão em constante mutação e nas relações livres, no poliamor, amor a três é frequente que uma das partes se desespere com essa possibilidade, se sinta desrespeitada e não amada. Muitos vivem grandes conflitos nesse período de transição entre antigos e novos valores. É fundamental refletirmos sobre as crenças e valores aprendidos, para nos livrar do moralismo e dos preconceitos”, relata.

Regina Navarro Lins: psicanalista especialista em amor e sexo. (Foto: Divulgação)
Regina Navarro Lins: psicanalista especialista em amor e sexo. (Foto: Divulgação)

Interessada pelas questão de amor e relacionamentos Regina Navarro Lins decidiu estudar e pesquisar o assunto desde a pré-história, passando pela Grécia Antiga, pela Idade Média, pelo Iluminismo, pelo século XIX, percorrendo o advento da pílula anticoncepcional, no século XX, até chegar às novas relações no mundo contemporâneo conectado, no qual as estruturas das relações e os padrões da sexualidade são frequentemente questionados. Foi então que descobriu a História das Mentalidades.

Baseada em datas e fatos, essa nova narrativa de Amor Na Vitrine se refere a sentimentos e comportamentos coletivos de determinado período ou lugar — como as pessoas pensavam, viviam, se relacionavam, o que desejavam ou temiam.

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“Ao analisar a vida íntima de nossos antepassados, fica clara a mudança das mentalidades. Há grandes diferenças entre a forma como o amor e o sexo foram vividos, por exemplo, na Grécia, Idade Média, Iluminismo, Século XIX e a partir do advento da pílula anticoncepcional, no século XX. A partir daí, tive a certeza então de que podemos modificar nossas expectativas e viver de forma bem mais satisfatória as relações amorosas”, diz Regina.

Capa do livro Amor na vitrine (Foto: Divulgação)
“Amor na vitrine” de Regina Navarro Lins. Editora BestSeller do Grupo Editorial Record 376 páginas. Preço médio: R$ 34,90

Leia abaixo alguns trechos exclusivos de “Amor Na Vitrine”, de Regina Navarro Lins:

Paixão X Amor

Paixão, amor romântico e amor são sentimentos distintos, embora confundidos. Para o sociólogo inglês Anthony Giddens, a paixão é sem dúvida a que causa mais tormentas. Sua característica principal é a urgência; é tão invasiva e poderosa que pode fazer com que sejam ignoradas todas as obrigações habituais. Perturba as relações cotidianas, arrancando a pessoa das atividades a que está acostumada, deixando-a completamente fora do ar. É comum fazermos escolhas radicais e muitas vezes penosas — faltamos ao trabalho, largamos o emprego, mudamos de cidade, abandonamos a família.

O amor se apresenta de várias formas

É comum pensarmos no amor como se ele nunca mudasse. O amor é uma construção social, e em cada época da história se apresenta de uma forma. Crenças, valores, expectativas, determinam a conduta íntima de homens e mulheres. Podemos acompanhar sua origem, desenvolvimento e transformações observando a história. Crenças, valores, expectativas, determinam a conduta íntima de homens e mulheres.

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Descobrir o prazer

Saber descobrir e sentir prazer é um talento e uma arte que precisa ser cultivada. E não é tão simples. Os controles políticos, sociais e religiosos sobre o prazer continuam existindo em todas as partes do mundo. Certos prazeres são aceitos, alguns condenados, outros proibidos mesmo. Não é sem motivo. Controlar os prazeres das pessoas é o mesmo que controlar as pessoas.

Ninguém sabia que o homem participava da procriação

Até cinco mil anos atrás, não se imaginava que os homens tivessem alguma participação no nascimento de uma criança; isso tinha sido ignorado por milênios. A fertilidade era característica exclusivamente feminina. Supunham que a vida pré-natal das crianças começava nas águas, nas pedras, nas árvores ou nas grutas, no coração da terra-mãe, antes de serem introduzidas por um sopro no ventre de sua mãe humana

Violência sexual contra a mulher

A sociedade de parceria entre homens e mulheres tornou-se coisa do passado, e a mulher passou a ser uma mercadoria valiosa. Rapto seguido de estupro foi o método mais usado para adquiri- -la, ocorrendo na própria tribo ou na tribo vizinha. Isso era visto como tão natural, que muitos atribuem ser a origem do costume de o noivo carregar a noiva no colo e pronunciar o célebre “enfim sós”, quando se veem longe de todos, após a festa de casamento. Em toda a história encontramos casos de violência sexual: da Bíblia às guerras do século XXI, passando pela mitologia greco-romana.

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Sexo a três

No paleolítico (até 10.000 a.C.) foram descobertas algumas tumbas duplas: um homem enterrado com duas mulheres. Elas foram mortas ao mesmo tempo, para acompanhá-lo na morte. Essa prática será encontrada mais tarde na Antiguidade. Em Dolni Vestonicé, na Moravia, em um sítio de caçadores de mamutes, datado de 25 mil anos, descobriu-se uma mulher jovem cercada por dois homens jovens, um deles com a mão sobre a bacia (ou sobre o sexo) da mulher, recoberta de ocre nesse local específico. Seriam eles os precursores do sexo a três que agora ganha força? Posteriormente, no período neolítico (a partir de 10.000 a.C.), com a sociedade mais organizada, boa parte da liberdade da pré-história desapareceu.

Sobre a autora:

Regina Navarro Lins é psicanalista e escritora. Trabalha há 47 anos em seu consultório particular. Ex-professora de Psicologia do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, foi colunista de diversos jornais e apresentou programas de rádio. Teve, durante oito anos, coluna no portal UOL e realiza palestras sobre relacionamentos amorosos em várias cidades do país. É também a especialista fixa do programa Amor&Sexo, da TV Globo.

Durante quatro anos, Regina Navarro Lins foi colunista semanal e comentarista da Globo News. É autora de outros 12 livros sobre relacionamento amoroso, dentre eles o best-seller A cama na varanda, O livro do amor 1 e 2 e Novas formas de amar.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).