A diretora e cineasta do novo filme LGBT+ da Netflix, Alice Wu, divulgou nas redes sociais uma história pessoal que inspirou a trama do filme, quando a cineasta, que é lésbica, começou uma amizade inesperada com um homem heterossexual, mas que a relação foi cortada após a namorada do rapaz desaprovar a intimidade dos dois.

“A primeira vez que eu tive meu coração partido não foi por uma garota, mas por um cara. Um cara hétero branco do centro dos Estados Unidos, na verdade. Se você selecionasse esse cara da multidão e dissesse ‘esse garoto será seu melhor amigo’, eu não acreditaria. Mas, às vezes você conhece uma pessoa e, por algum motivo, a ‘estranheza’ de vocês funciona junto. Ele me ajudou a me aceitar como gay em um momento da vida em que nós não conhecíamos nenhum gay – e nós dois cambaleamos no estranho campo de ‘tentar arranjar uma garota’. E ele conseguiu, para nossa alegria (pelo menos um de nós não vai morrer sozinho)… E então, desastre”, conta a diretora no relato.

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Wu acrescenta que: “A nova namorada dele estava preocupada com nossa amizade, apesar de saber que eu era gay. Então, devagar e inevitavelmente, o cálculo delicado da nossa amizade foi corroído. Eu me lembro de uma noite chuvosa, nós dois chorando no carro, eu dizendo ‘eu não entendo. Se algo fosse acontecer entre a gente, já não teria acontecido?’. E ele respondeu ‘ela não acha que a gente vá transar. Ela se sente ameaçada pela nossa amizade’”.

A cineasta também conta ter mudado o cenário da história, que originalmente aconteceria com personagens de “vinte e poucos anos”, para o colegial porque é a única época em que “tudo é elevado, todo sentimento é o primeiro”. 

Além disso, Wu comenta sobre a dificuldade sobre escrever finais, já que o público espera resposta e nem sempre algo fora do final feliz agrada, no caso de “Você Nem Imagina”, ela afirma que: “O filme não é sobre duas pessoas que acabam juntas. É sobre três pessoas que colidem em um determinado momento antes de seguirem seus próprios caminhos, cada um segurando os pedaços de si que os ajudarão a se tornar quem eles deveriam ser. O fim do filme é o começo deles. E, para os meus personagens, eu não consigo pensar em um final mais feliz”.