Annie Proulx, a autora responsável pelo romance Brokeback Mountain, que deu origem ao filme de temática LGBT vencedor de 3 Oscars, revelou que hoje pensa que gostaria de nunca ter escrito a obra.

Proulx disse à Paris Review que recebe regularmente fanfics e releituras de sua história original que a deixam irritada, “incluindo todos os tipos de namorados e novos amantes e assim por diante, depois que Jack [o personagem de Jake Gyllenhaal] é morto”. Ela afirmou que este tipo de atitude dos fãs da obra “a deixa louca”.

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“Eu gostaria de nunca ter escrito a história”, disse ela. Antes do filme estava tudo bem … O que estas pessoas não conseguem entender é que a história não é sobre Jack e Ennis [Heath Ledger]. É uma história sobre homofobia; é sobre uma situação social; é sobre um lugar e uma mentalidade e moralidade particulares.”

Ela rebateu os escritores de fanfic, dizendo: “Essa não é a história que escrevi. Esses não são personagens seus. Os personagens me pertencem por lei.”

A autora de Brokeback Mountain escreveu uma versão da ópera para impedir “idiotas de mexer com ela”. Annie Proulx trabalhou com Charles Wuorinen em uma adaptação de Brokeback Mountain para virar um espetáculo de teatro musical .

“Achei que um desses idiotas que adora inventar novos finais felizes chegaria me propondo isso. Quero manter a história como está.” Em um golpe final, ela acrescentou: “É uma história forte e não deveria ser mutilada só para que todos vivam felizes para sempre”.

Heath Ledger e Jake Gyllenhaal: protagonistas de Brokeback Mountain no Oscar 2005. (Foto: Reprodução / Instagram)
Heath Ledger e Jake Gyllenhaal: protagonistas de Brokeback Mountain no Oscar 2005. (Foto: Reprodução / Instagram)

já o ator Jake Gyllenhaal, um dos protagonistas da obra, tem uma visão oposta quando se trata de quem é o dono dos personagens. Ele chamou o filme de “maior do que eu”, dizendo ao Today Show: “Já não é nosso. É o mundo.”

Durante q quarentena, a escritora Gaby Dunn reimaginou a história de Brokeback Mountain com um elenco totalmente trans para o festival anual de filmes LGBT + de Nova York.

Em 2018, o filme foi incluído no Registro Nacional de Filmes da Biblioteca do Congresso. Os filmes escolhidos para inclusão são considerados dignos de preservação para as gerações futuras por sua “importância cultural, histórica e estética para o patrimônio cinematográfico da nação”.

Em seu livro, Out at the Movies, o crítico de cinema Steven Paul Davies disse: “Graças a Brokeback, os financiadores de filmes passaram a entender que podem apoiar roteiros e personagens que não dependem simplesmente de estereótipos gays… e isso certamente trouxe um progresso na representatividade e visibilidade”.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).