Johnny Hooker demorou pra encontrar o seu lugar no mundo. O cantor e compositor acredita que a música foi a responsável por situá-lo. Quando ele diz isso, o pernambucano não se refere à localização geográfica (mesmo acreditando que Recife é algo tão intenso que se torna uma impressão digital eterna), mas, sim, ao seu entendimento social e político.

Em entrevista ao canal Papo de Música, apresentado pela jornalista Fabiane Pereira, ele percorreu por assuntos que vão das suas inspirações e carreira ao papel do artista como ferramenta contestadora. “Eu vejo as pessoas querendo se encaixar e tendo medo de tocar em certos assuntos. Existem certas coisas que vão contra os princípios você ficar calado. Eu gostaria de ver mais artistas mainstream se posicionando”, ele afirmou. 

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“O passado está desesperado, porque as coisas estão mudando”, pontua Johnny antes de destacar Pabllo Vittar, Gloria Groove, Liniker, entre outros nomes, como exemplos responsáveis pelas “micro-revoluções” em curso. “A música, no Brasil, sempre puxou a sociedade pra frente, desde o Tropicalismo, do samba, desde Chiquinha Gonzaga, sabe? As questões da sociedade brasileira foram sendo discutidas através da cultura. Não à toa, eles têm tanto medo da cultura”.

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Com dois discos lançados, Eu Vou Fazer Uma Macumba pra Te Amarrar, Maldito! (2015) e Coração (2017), Johnny mescla referências pop a guitarras rasgadas e sua irreverente pernambucanidade. Conhecido por letras de tons dramáticos – no melhor sentido da palavra -, o cantor consegue extrair arte da dor, mas prefere versos impulsionados pelo amor. “Estar apaixonado é melhor para escrever. Acho que existe toda uma romantização em torno de estar muito triste, como se precisasse estar triste para escrever”, declara.

Outros assuntos que nortearam o papo foram as referências musicais do artista – de Marilyn Manson a Madonna – e a escolha de tocar em assuntos ainda considerados tabus. “Eu já fui mais rebelde, mas é uma característica minha que sempre vai estar lá. E quem não gostar, é só não dar o play, não dar streaming”, finaliza.

Assista a entrevista completa abaixo:

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).