Depois de Kaká Di Polly – figura lendária e responsável pela 1ª Parada LGBT no Brasil ter acontecido – ter criticado a ausência de figuras históricas e mais envolvidas com a causa LGBT o ano todo na 1ª Parada Online, outros nomes como Evandro Santo, Luisa Marilac, Valenttini e Maryana Mercury também se posicionaram com visões semelhantes.

Agora foi a vez da artista icônica Silvetty Montilla dar sua opinião sobre o evento que ocorreu no último domingo.

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Em um longo e honesto desabafo postado em seu IGTV, Silvetty se disse inconformada principalmente por terem espalhado depois por aí que ela foi convidada, mas não compareceu ao evento: “Falaram que me chamaram, é mentira! Só gostaria do contato de quem disse que me procurou: quando me procurou?”.

A estrela dos palcos primeiramente deixou claro que sua crítica não era aos apresentadores ou convidados, os quais ela muito estima e é fã e estavam lá fazendo os trabalhos para os quais foram convidados: “A minha questão é, por que as pessoas que organizaram – e nem são da Parada LGBTQIA+ – não buscaram saber quem são as pessoas que abriram portas, as que vieram primeiro… Alguém saberia como foi que a 1ª Parada saiu? Alguém sabe quem é Beto de Jesus? Alguém sabe quando Kaká Di Polly teve que deitar na Avenida Paulista para a Parada sair?”

Assim como aconteceu com Silvetty, o mesmo aconteceu com Salete Campari: “Depois das críticas online, falaram que nos conviradam e não fomos. É mentira. Se alguém fosse atrás, me ligava, pegava meu whatsapp…”.

Ainda sobre artistas e militantes históricos ausentes em detrimento de quem chegou ontem, Silvetty deu alguns exemplos: “Pessoas que abriram o caminho pra estas novas, são negadas. Eu queria que as pessoas não deixassem de ter memória. Vou citar alguns nomes: Dimmy Queer, pioneira, Márcia Pantera, Verônika, Michelly Summer, Leonora Áquila, a primeira pessoa que me deu oportunidade de estar em uma casa conceituada… São tantas maravilhosas, tantos artistas que poderiam ter feito parte ou pelo menos ter sido homenageada… A gente tem que ter hierarquia e eu tenho!”.

Em seguida, Silvetty lembrou da drag queen Miss Biá, que recentemente faleceu e foi um nome extremamente importante para a cena quando ser LGBT ainda era praticamente um crime na sociedade: “Sabem quem é Miss Biá? Uma artista que faleceu há umas duas semanas, com mais de 50 anos de carreira e 82 anos de idade!”

Em outro momento Silvetty falou sobre Nany People, que segundo ela, se afastou da causa LGBT – e felizmente conseguiu consagrar sua carreira no mercado mainstream – justamente por ver a falta de memória e ingratidão com figuras que deram a cara a tapa pra estarmos hoje aqui.

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Mesmo assim, Silvetty garante que, embora tenha uma carreira fora do meio – quando fez Terça Insana, standup, peças de teatro e musicais, programas na Globo, dentre outros trabalhos – é para o público LGBT que ela sente realização em continuar trabalhando: “Toda minha vida quero trabalhar para este público que deu meu teto, que deu a minha alimentação e oportunidade de fazer sempre o que eu mais amo: estar trabalhando”.

Ao final ela lembra novamente que não está ali pra criticar qualquer convidado envolvido, mas quer apenas uma resposta da produção: “Eu não tive convite nenhum! Falaram que fui convidada sem eu ter sido! Quero que essa pessoa venha falar quando me ligou, me procurou… Mentira! Desculpem o vídeo enorme. Eu não fui convidada pra nada pra estar participando!”

Assista ao desabafo na íntegra:

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).