A diretora da série britânica Eastenders, Kate Oates, se disse esperançosa de que, em um futuro breve, um beijo gay em uma série não cause tanto alarde na sociedade.

Em entrevista ao Radio Times, ela disse que a série – que está no ar desde 1985 – ainda enfrenta “obstáculos” do público  mesmo em 2019 porque a sociedade ainda não aceita totalmente os personagens LGBTQ e as histórias homossexuais.

“Existe um paradoxo porque uma das coisas que faz os espectadores torcerem pelo casal e tornar a história atraente é na verdade a coisa que estamos tentando mudar: o fato de que ainda há muito preconceito”, explicou ela.

“Ainda há muita homofobia em nossa sociedade, e estamos felizes em usar nossa voz para tentar mudar isso”.

Ela continuou: “Estou ansioso pelo dia em que um beijo do mesmo sexo possa ser mostrado em uma novela convencional e o registro de deveres receba zero queixas – porque então estaremos em um lugar muito melhor como sociedade”.

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A série Eastenders é conhecida por propor debates e progressos quanto a representação LGBTQ no Reino Unido. Em 1987, o programa apresentou seu primeiro beijo gay entre Colin Russell e Barry Clark. Embora tenha sido apenas um selinho na testa, a repercussão foi enorme.

Dois anos depois, a série levou ao ar seu primeiro beijo boca a boca entre Russell e Guido Smith. Desde então, o programa introduziu personagens LGBTQ como Christian Clarke, Ben Mitchell, Paul Coker, Irene Mills e Kyle Slater.

Recentemente, o show apresentou seu primeiro bar gay – chamado The Royal Albert – para refletir a diversidade de Londres e fazer história com seu primeiro personagem lésbica muçulmana, Iqra, interpretado pela atriz Priya Davdra.

Uma história de destaque para o programa deste ano foi o romance entre Ben e Calum – apelidado de ‘Ballum’ pelos fãs.

Sobre eles, Kate disse: “Para alguns espectadores é simples. Muitos fãs do EastEnders estão gostando do conforto de Ben em sua própria sexualidade e comentaram que sua abordagem ao namoro parece autêntica, o que eu acho importante”.

“Da mesma forma, Callum se sente muito crível como alguém que veio de uma família homofóbica e está lutando com sua sexualidade. Então, esses dois personagens realmente ressoam com nosso público LGBTQI”, disse ela.

E concluiu: “Os espectadores têm um senso natural de justiça e, portanto, torcem para que os personagens superem o preconceito para que possam ficar juntos. Mas, quando se trata disso, o apelo duradouro e universal de uma história de amor bem contada e bem atuada não pode ser subestimada”.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).