A essa altura, todo mundo já sabe da polêmica que RuPaul causou ao dizer que não permitiria participantes trans em RuPaul’s Drag Race, não é? A situação só piorou depois que a queen foi tentar justificar a fala e acabou comparando pessoas transgêneros no reality à atletas em doping em uma Olimpíada.

Após a Internet cair em críticas em cima de RuPaul, não demorou muito pra que ela pedisse desculpas pela afirmação e reconhecesse também estar aprendendo.

Mesmo assim, a ex-participante de RuPaul’s Drag Race, Peppermint, que após uma temporada bem sucedida no reality justamente se descobriu uma mulher transgênero, decidiu responder Mama Ru em entrevista à BillBoard. E vale ler cada palavra até o final.

Peppermint começou reconhecendo a importância de RuPaul: “RuPaul abriu tantas portas para pessoas LGBT e cujo gênero se questionavam e é um ícone do mundo e da história drag. Isso é inquestionável. Mas recentemente, ela fez alguns comentários dos quais eu devo discordar.

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É importantíssimo saber que a transição de gênero de uma pessoa, esteja ela no início, no meio, ou no final, é algo pessoal e que não pode ser julgado, categorizado, medido ou levado em consideração dessa forma.”

E é exatamente isso. Faço aqui uma pausa no discurso de Peppermint para expor a minha visão pessoal: Drag é a arte da montação, independente de você ser um homem cis hétero, gay ou bissexual, independente de ser um homem trans, uma pessoa gênero-fluido, uma mulher cis ou uma mulher transgênero que esteja ali criando um personagem, vivendo um show. Isso é ser drag e não depende de gênero. Entretanto, devemos saber também que RuPaul é de uma geração onde a sigla LGBT e tantas variáveis e definições, sequer existiam. E talvez isso não seja de assimilação tão fácil pra ela, até porque a arte drag historicamente é algo que começou com homens (principalmente gays) se montando pra parecerem mulheres.

Peppermint se lembrou da importância também de se desculpar RuPaul e não somente atirar pedras: “Ao menos RuPaul reconheceu o erro e se desculpou, o que eu acho importante pra que a gente tenha empatia e possa dialogar. Isso mostra que temos educação, maturidade e respeito, além de evolução.”

Mas foi ao final de suas considerações que Peppermint arrasou nas palavras nos fazendo refletir inclusive sobre o mundo machista do qual a comunidade LGBT também faz parte, ao concluir: “Infelizmente esta não é a primeira ou a última vez que vamos ouvir que uma mulher não pode fazer algo que um homem pode. Estou disposta a questionar e mudar isso!


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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).