A Disney realmente parece empenhada em mostrar diversidade em suas obras mais recentes. Pequenos, mas gigantes passos considerando seu tamanho e influência, tem sido dados em suas produções no sentido de educar toda uma nova geracão a abraçar a diversidade humana, algo que até pouco tempo atrás era quase inexistente não só em suas produções mas em toda a mídia e estúdios em geral.

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Recentes esforços tem sido vistos, como na inclusão do personagem abertamente gay, Le Fou, em A Bela e a Fera, a discreta aparição de um casal interracial de lésbicas em Toy Story 4, e narrativas incluindo personagens LGBTs em séries infanto-juvenis como Andi Mack.

Agora, acaba de ser confirmada uma novidade inesperada para o live-action de A Pequena Sereia. A cantora Halle Bailey, conhecida pelo musical Chloe X Halle, foi escolhida para viver a personagem Ariel, protagonista do musical.

Segundo informado pelo jornal O Globo, a escalação de uma atriz negra para viver uma personagem branca em sua versão original ainda é uma atitude pouco comum em refilmagens de Hollywood. A decisão foi considerada um avanço da prática conhecida em inglês como “colorblind casting”, que é quando a etnia do personagem se mostra um fator não determinante na contratação de um ator.

Uma iniciativa semelhante ocorreu em um passado recente quando a montagem teatral musical de Harry Potter, em Londres, escolheu uma atriz negra para viver a personagem Hermione, que no longa metragem, coincidentemente assim como Ariel, é branca e ruiva.

Na Internet, maior parte do público comemorou e elogiou a iniciativa, uma vez que teve o bom senso de perceber o como temos pouca representatividade racial além da pele branca nos papeis protagonistas das produções audiovisuais. A Disney, sendo uma das maiores produtoras do mundo, dá um exemplo, um close certíssimo, por mais que a reaçada, saudosa do tempo em que racismo, exclusão e preconceito eram normais, chiem.

Falando neles, é claro que também houve quem criticasse a iniciativa disfarçando seu preconceito sob falas como “mas na versão original era ruiva!”. Gente que nunca sequer se incomodou com coisas como o clássico Cleópatra, da década de 60, que se passa num Egito de população negra, tendo sido protagonizado por uma atriz branca, Elizabeth Taylor. Mas nem vale a pena gastar mais de um parágrafo com essa gente, né? Como já disse a cantora Pitty, vivemos em uma época onde o negro não voltará mais para a senzala, nem a mulher para a cozinha e nem o LGBT para o armário.

Resta saber se a personagem continuará sendo ruiva como é no clássico, mas não que isso seja algo imprescindível também. Releituras também servem para que a gente abra a cabeça e questione padrões e passe a enxergar as coisas de um ponto de vista diferente. Só reclama quem quer continuar com a mente pequena.

Ainda sem data de lançamento, “A pequena sereia” terá como diretor Rob Marshall, que também fez “O retorno de Mary Poppins” (2018), “Chicago” (2002) e “Caminhos da floresta” (2014). Sobre o elenco, sabe-se da escalação de Jacob Tremblay (o garotinho de “O quarto de Jack”, 2015) na pele, ou melhor, escamas de Linguado; e Awkwafina, como Sabidão. Para o papel da vilã Úrsula, a Disney está em negociações com a atriz Melissa McCarthy.

Baseado na história criada por Hans Christian Anderson, o desenho original, de 1989, conta a saga da princesa Ariel, uma sereia ruiva que sonha em viver como os humanos. O filme venceu os Oscars de melhor trilha sonora e melhor canção, pela inesquecível “Under the Sea”.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).