Cantora e compositora carioca Maranda lança clipe sobre mães lésbicas e que dá visibilidade à questão da dupla maternidade. Depois de cinco anos juntas, as fotógrafas Juliana Vieira, 38, e Monik Moreth, 33, resolveram que era chegada a hora de ter filhos.

Já a psicóloga Paula Dalalio Frison, 31, e sua companheira, a supervisora comercial Camila Krauss Provenzano, 40, falavam sobre maternidade desde a primeira semana juntas, mas o agendamento da primeira consulta para tratamento para fertilização in vitro aconteceu em quatro meses de namoro.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Os dois casais fazem parte do clipe da música “Cosmonauta”, lançado pela cantora e compositora carioca Maranda especialmente para a campanha “Andei Pensando”, idealizada pela organização Diversidade+. Transformada em videoclipe por sua companheira, a videomaker Maiara Líbano, a canção homenageia as mães lésbicas e seus filhos, personagens reais do vídeo.

“A ideia de ‘Cosmonauta’ nasceu a partir de um convite da Carina Rocha, fundadora da Diversidade+, que me chamou para fazer a música para um clipe em homenagem às mães lésbicas para o Dia do Orgulho Lésbico (19 de agosto).

Desse convite, quis criar algo da perspectiva da criança que chega, e imaginei os bebês como viajantes do espaço, vagando sozinhos pelas galáxias até que encontram na Terra o amor de mãe. Foi realmente uma honra poder escrever sobre o amor mais bonito que existe”, conta a cantora.

Além disso, Maranda teve como inspiração a relação com sua própria mãe. “Nós duas sempre fomos muito fãs de ficção científica. Na minha infância, víamos juntas ‘Star Trek’, ‘Guerra nas Estrelas’, assim como vários outros filmes e séries. Também líamos muito sci-fi, é uma coisa importante na minha formação e que nos une até hoje. Foi inspirada por essa nossa paixão em comum que pensei no amor de mãe para escrever a música”, acrescenta.

Mães lésbicas de todo o Brasil participaram

O clipe reúne filmagens caseiras cedidas por mães de todo Brasil a partir de uma curadoria feita pela campanha “Andei Pensando”, que são mescladas com gravações de estúdio e imagens do acervo gratuito da NASA. Devido às restrições da pandemia, o vídeo foi dirigido e montado sem mobilizar uma equipe para gravar em uma locação.

“Este desafio na verdade só estimulou nossa criatividade. Também contamos com um pouquinho de sorte, já que as mães foram orientadas a enviar imagens do cotidiano de suas vidas e, por coincidência do cosmo, entre os vídeos enviados tinha céu, estrelinha, e até uma festa de aniversário de astronauta, que tinham total sinergia com a música”, relata Maiara.

A festa em questão era do gêmeos de Juliana e Monik, Antônio e Benjamin, de 1 ano e 9 meses, nascidos após a realização de uma fertilização in vitro numa clínica de reprodução humana assistida. “Falamos para eles o tempo todo que nossa família é formada por duas mães lésbicas, que há várias configurações de famílias e que cada família tem uma formação. Damos exemplos, mesmo eles ainda sendo muito pequenos, mas acreditamos que eles entendem tudo que nós falamos”, conta Juliana.

Fora a amamentação, que é feita por ela, já que quando os bebês nasceram Monik não podia fazer a indução da lactação por motivos de saúde, as tarefas são inteiramente divididas pelas duas. “O maior desafio é fincar nosso espaço na sociedade, ser vista e respeitada. Já a vantagem é estar livre de todo machismo estrutural na nossa relação. Somos duas mães, não competimos”, explica Juliana.

Para Paula e Camila, mães lésbicas de Benjamin, de 1 mês de vida, o desafio é fazer com que as pessoas entendam que não há nada “faltando” na configuração da família que tem maternidade dupla. “É preciso que se compreenda que doador não é pai, que não somos ‘pãe’ e que Benjamin não sentirá falta da figura paterna, afinal de contas, não sentimos falta daquilo que nunca tivemos”, resume Paula.