Foi difícil, mas valeu a pena! Manoel Carlos teve que penar, tanto com o público quanto com a TV Globo, para fazer o casal lésbico, em 2003, acontecer! Confira:

“Sair do armário pode, mas beijar na boca não”. Essa foi a conclusão das pesquisas realizadas pela Globo, a respeito do romance entre as então adolescentes Rafaela (Alinne Moraes) e Clara (Paula Picarelli) em Mulheres Apaixonadas. O casal era um dos destaques da novela de Maneco, que está sendo reexibida pelo Viva.

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No tempo que a novela estava no ar, a emissora tinha uma grande dúvida se o público iria aprovar a relação lésbica. Como antecedentes, existiam os casos de rejeição em Vale Tudo (1988), com Cecília (Lala Deheinzelin) e Laís (Cristina Prochaska), e, principalmente, em Torre de Babel (1998), quando Silvio de Abreu teve que matar Rafaela (Christiane Torloni) e Leila (Silvia Pfeifer) na explosão do shopping.

Início: nas primeiras semanas de Mulheres Apaixonadas, o autor Manoel Carlos disse que ainda não havia grande interesse pelo assunto. “Nos meus passeios pelo Leblon, nunca citaram esse núcleo”, declarou ao jornal O Globo de 16 de março de 2003.

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Clara e Rafaela nas ruas

“Na rua, ninguém comenta nada. As pessoas não se aproximam de mim. Talvez porque o assunto seja um tabu. Pouco se fala sobre a relação entre mulheres, por isso mesmo é perfeito que a novela do Maneco fale”, declarou Alinne na matéria.

Momentos tensos: Paula, por sua vez, passou por alguns momentos de constrangimento, como algumas hostilidades nas ruas, chegando a ser esbonada por uma vendedora de loja, recusando-se a atendê-la. Absurdo, né?

Estratégia de Maneco

Já em 19 de março, a Folha de S.Paulo informou que o futuro das jovens seria decidido pelos tradicionais grupos de pesquisas que a emissora realiza.

“Até lá, segundo o autor, as jovens continuarão no armário, apesar das evidências, como a troca de carinhos e as manifestações de ciúmes. Ao contrário do que ocorreu em Torre de Babel, Rafaela e Clara correm menos risco de morte Dependendo do grau de rejeição (e da pressão de executivos da Globo), elas poderão tomar outro rumo”, relatou a matéria de Daniel Castro.

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Preocupado com as suas personagem, Maneco bolou uma estratégia. “Estou abordando o tema com cuidado. Não quero ter de matar ou afastar as atrizes, cancelando a história. Prefiro resolver de um outro modo, caso me impeçam de prosseguir”, disse o autor.

Pesquisas apontam aprovação de Clara e Rafaela, mas…

O resultado das primeiras pesquisas saiu em 24 de abril, quando a Folha divulgou que “o público pesquisado –a maioria de donas de casa– tinha aprovado o casal Rafaela e Clara, que são adolescentes e lésbicas, mas rejeitou qualquer hipótese de elas se beijarem na boca”.

“Sei que existem limites. Se as pesquisas aprovam o relacionamento das duas e se a audiência não cai quando elas aparecem, isso se deve a uma abertura maior, mas também à forma delicada com que estou tocando a história. Então sem beijo na boca, infelizmente, a história poderia tomar um outro rumo e viriam todos para cima de mim.” Disse Manoel Carlos.

Na mesma pesquisa, o público estava dividido quando ao futuro da protagonista Helena (Christiane Torloni): parte deles torcia para que ela ficasse com Téo (Tony Ramos), e outra parte com César (José Mayer). Também havia dúvida sobre outro tema polêmico: o relacionamento da professora Raquel (Helena Ranaldi) com o aluno Fred (Pedro Furtado) por causa da diferença de idade entre os personagens.

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Mais perto do encerramento, Alinne Moraes comentou que a estratégia do autor deu certo. “O Manoel Carlos preparou uma armadilha para os telespectadores: fez com que as personagens os cativassem e depois mostrou que elas se amavam. Aí, as pessoas foram avaliar a situação, e o amor sincero delas venceu o preconceito”, declarou em entrevista no dia 14 de setembro, ao jornal O Globo.

O Beijo

Beijo de Clara e Rafaela (Reprodução / TV Globo)
Beijo de Clara e Rafaela (Reprodução / TV Globo)

No final da novela, em 10 de outubro, Maneco não se conformou e deu um jeito de incluir um rápido beijo entre as personagens, durante a encenação de uma peça de William Shakespeare (1564-1616). O esperado capítulo atingiu 59 pontos de média, isso foi muito mais que o último capítulo de Avenida Brasil, por exemplo.

E aí? Você já shippava as duas também?

 

 

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Carioca, antenado e intenso. Redator do Põe na Roda e Produtor Digital da Rádio Rio de Janeiro. Amante das artes, desde as cênicas até a fotografia. Taurino com 21 anos, apreciador raiz da cultura pop e um jornalista em construção.