Luca Guadagnino diz que as críticas em torno do elenco hétero de Call Me By Your Name são “maçantes” e “absurdas”. Em uma entrevista recente, o diretor indicado ao Oscar foi questionado sobre se era “apropriado” escalar atores heterossexuais como gays em meio a conversas crescentes sobre a falta de papéis para pessoas LGBTQ+.

“Eu li muito sobre Freud para levar a sério esse tipo de crítica”, disse ele ao The Independent. “O que significa que honestamente não acredito que tenho o direito de decidir se um ator é hetero ou não.

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“Quem sou eu para saber o que alguém pensa de si mesmo. Sim, Armie é um homem heterossexual com mulher e filhos e o mesmo pode ser dito de Timothée. Mas devo pedir-lhes que jurem por sua sexualidade, por suas identidades, por seus desejos, antes de eu os escalar? Eu não!”

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Guadagnino disse que a noção de escalar atores com as mesmas experiências vividas soa “enfadonha e um pouco absurda”, acrescentando: “Se eu tivesse que escalar o que as pessoas acham que é a coisa real para um papel, eu não seria capaz de escalar. Não posso escalar um gay para interpretar Oliver”.

“Eu tenho que escalar Oliver para interpretar Oliver porque as identidades dos homens gays são tão múltiplas quanto as flores no reino da terra. Portanto, não existe uma identidade gay. Uma pessoa que é gay é completamente diferente de outra que é gay”, completa o diretor de Call Me By Your Name.

“Então, se eu tiver que ser preciso nesse tipo de observação maçante, eu poderia escalar o Oliver, mas o Oliver não existe. Ele é uma criatura de André Aciman. Voltamos ao último ponto que quero destacar, que é que a beleza de atuar é a possibilidade da criação e incorporação de novos seres por meio da arte de atuar”.

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Guadagnino também abordou as críticas do roteirista James Ivory sobre a falta de nudez frontal completa em Call Me By Your Name (que terá uma continuação): “Ninguém que conheça meu trabalho pode me dizer com uma cara séria que sou tímido em relação à nudez masculina ou feminina ou a qualquer outro gênero de nudez”, disse ele. “Então, a crítica ou nota que James deu foi, de certa forma, desprovida de pragmatismo ou relação com o filme em si.

“Minha pergunta para ele é se este filme precisa de nudez frontal masculina completa. Acho que não. Não importa. Talvez o roteiro que ele escreveu – que era um rascunho que então retrabalhei com meu editor – foi compelido a contar essa história sob a perspectiva de um tipo de nudez muito expositivo, mas essa teria sido a ideia dele para o filme que, infelizmente, não vimos… então não sei. Acho que James estava um pouco surdo sobre a situação”.

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