Assim que o youtuber Cicielo sofreu acusações de racismo, homofobia e misoginia devido a centenas de postagens preconceituosas em suas redes sociais que ele insistia serem apenas piadas, curiosamente surgiu um movimento inverso na tentativa de defendê-lo, acusando personalidades que sempre estiveram ao lado das lutas das minorias, como o ator Bruno Gagliasso.

Devido ao RT em um tweet que Bruno sugeria uma piada chamando seus amigos de veados do trenó do papai Noel no Natal, NOVE ANOS ATRÁS, Bruno foi comparado a influenciadores como Cocielo, em uma sugestão de que a sociedade estava usando 2 pesos 2 medidas. Afinal, como as pessoas poderiam se revoltar com Cocielo e não com Bruno?

Não é preciso ser muito inteligente pra entender que o peso de um retweet de nove anos atrás é diferente de centenas de tweets, INCLUSIVE RECENTES, onde tem até mulher negra sendo chamada de macaca. A comparação desonesta foi criada e usada simplesmente para atacar Bruno e defender Cocielo.

E quem não coloca o Tico e Teco pra funcionar, pode até cair nessa armadilha feita pra minimizar as inúmeras postagens criminosas do youtuber comparando a uma postagem antiga e única do ator, que sempre defendeu lutas das minorias, mas como todos nós, não nasceu desconstruidão e nem esteve sempre livre de manifestar preconceitos vindos da nossa sociedade culturalmente preconceituosa.


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Capa da revista GQ Brasil deste mês de Agosto, o ator pela primeira vez se manifestou sobre o caso.

“Se eu disse algo no passado que hoje me envergonho, não pretendo lidar com isso apagando o passado, mas lidando com ele hoje e sendo uma pessoa melhor sempre. Só encarando a verdade com a verdade que a gente evolui”, afirmou Bruno.

Além de sempre ter estado ao lado da pauta LGBT, o ator também passou a entender e apoiar o movimento negro publicamente, principalmente após a chegada da filha Titi, que ele tem com a esposa Giovana Ewbank.

“Hoje consigo enxergar as coisas como antes não conseguia. Não me justifico, mas a gente cresce, amadurece, aprende. Não existe perfeição, isso é apenas uma idealização. Vivemos, sim, em uma sociedade machista, racista e hipócrita. Só consegui tomar uma consciência real de tudo isso com a chegada da minha filha”, admitiu.

Nesta edição da revista GQ Brasil, foram convidados a falar sobre os assuntos além de Bruno, Djamila Ribeiro (feminista e acadêmica, autora do livro “O que é lugar de fala?”), Luana Génot (ex-modelo dedicada à luta contra o racismo), Corey Watlington (diretor de ensinamentos e aprendizado da Escola Eleva, do Rio, que preza pela diversidade e quer criar líderes com consciência social), Rafael Dragaud (roteirista e diretor do Criança Esperanda, da Globo) e Fabro Steibel (educador e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio, ITS-Rio).

A revista estará nas bancas de todo o Brasil a partir de 2 de agosto.

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).