Rolou uma baita torta de climão no reality de modelos trans, Born To Fashion, do E! Entertainment Television. Tudo por conta de uma fala equivocada do estilista Alexandre Herchcovitch, que acabou deixando as modelos bastante desconfortáveis.

“Vou usar um pouco as palavras da época, tá? Travesti…”, disse Alexandre Herchcovitch se referindo às modelos ao seu lado ao que as participantes o assistindo já pareceram estranhar. Foi então que ele completou pra tentar quebrar o gelo: “Eu também sou um pouco!”, ao que nenhuma simpatizou.

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Foi quando a participante Natt não aguentou e interrompeu: “Posso te fazer uma pergunta? Por que você disse que é um pouco travesti? O que é ser um pouco travesti?”.

Ele então respondeu: “É ser livre pra fazer o que eu quiser, usar o que eu quiser, falar como eu quiser… Não de maneira pejorativa. O pouco que eu consigo me transformar naquilo que eu quero, eu me sinto um pouco… transformador… né?”.

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A resposta não pareceu convencer nenhuma das participantes e a cara de poucos amigos de todas reagindo mostrou bem isso. “Não gostou? Ninguém gostou? Por que?”, questionou Alexandre.

A modelo Luna Ventura então respondeu: “Por que você é um homem branco cis. Não sei a sua sexualidade. E a gente passa por muitas coisas pra sermos mulheres trans e travestis”, ao que Natt completa a fala da colega: “É que ser travesti é muito mais do que uma afirmação, muito mais do que isso. É vivência”.

Miranda Luz então se juntou ao coro e lembrou: “E pra que as pessoas de casa também não confundam essa palavra como uma identificação passageira, tipo ‘Ah, hoje eu tô um pouco travesti e amanhã não mais”.

“Entendi”, consentiu Alexandre ao que Giorgia Narciso felizmente lembrou que todos tem a oportunidade de errar e aprender: “E tudo bem errar porque é sobre diálogo e troca. Porque se a gente erra, levanta o escudo e fica tenso…  Eu acho que não é sobre isso. É mais sobre conversar, a gente ouvir e refletir”.

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As 10 participantes de Born to Fashion, o primeiro reality que dá visibilidade a modelos trans

As 10 participantes de Born to Fashion, o primeiro reality que dá visibilidade a modelos trans. (Foto: Divulgação)

“Tudo bem”, disse Alexandre Herchcovitch ao final parecendo entender o conselho das meninas, de que, ser travesti vai além de ousar em transformações ou looks, ou ainda, fazer o que quiser. Infelizmente “ser um pouco travesti” em um país como o Brasil seria “ter um pouco a expectativa de vida de 35 anos”, “viver um pouco às margens da sociedade”, “não conseguir um pouco de emprego” ou viver sendo “um pouco ameaçada simplesmente por se expressar da maneira que você se sente no mundo”. Nenhuma dessas alternativas parece ser o caso de Alexandre Hertovitch.

Mas tudo bem também. Como lembrou Giorgia Narciso: Estamos aqui pra aprender, nos descontrairmos e evoluirmos todos. O episódio foi uma excelente oportunidade não apenas a Alexandre mas para quase todo homem gay cis que ainda tem pouca consciência sobre vivências trans.

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A influenciadora digital Alina Durso comentou em seu Twitter sobre o episódio: “Que esse vídeo sirva pra pessoas cis entender que: as únicas que podem se definir enquanto travestis, são as travestis. Se vc é gay cis, então vc não é “um pouco travesti”, vc é gay amor. Nossas identidades e vivências não são um personagem pra vcs se apropriar qnd convém.”

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).