Laurinda de Jesus Cardoso sempre foi uma mulher de atitude. Nascida em um lar de humildes camponeses imigrantes de Portugal, ela descobriu aos 15 anos que queria ser atriz.

A profissão era malvista na década de 40. Uma menina era criada para ser esposa e criar os filhos. Mas seu interesse por interpretar outras vidas e histórias não permitiam que o padrão da época e comentários maldosos a impedissem de seguir seu sonho. Ela enfrentava a todos, se maquiava e ia ao rádio, onde com o radioteatro tornou-se a atriz Laura Cardoso.

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Foi com essa mesma coragem que Laura encarou a transição do rádio para a TV e também a Ditadura Militar, entre 1964 e 1985, o único período em que a atriz temeu não poder exercer sua profissão. 

A profissão me preencheu. Mas na Ditadura Militar, tinha medo de trabalhar. Estava no teatro naquela época e não sabia o que podia falar, o que ia acontecer. Ditadura nunca mais! Falta de liberdade é a pior coisa que tem. Quem fala que tem saudade não sabe o que está falando”, alfineta.

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Laura vê com naturalidade as transformações culturais e comportamentais nas nove décadas em que viveu. Ela afirma que considera normal ver duas pessoas do mesmo sexo demonstrarem publicamente seu amor.

Se vejo dois homens juntos se amando, ou duas mulheres, acho normal. Cada um é um mundo e pode fazer desse mundo o que quiser. Ninguém tem o direito de te censurar. Eu, hein?! O importante é buscar sua felicidade e dormir com quem você quiser. É um pecado mortal censurar a vontade do outro, o sonho dele. Desde o meu tempo de menina isso existia. Mas era mais em segredo. Hoje não é mais assim. Eu acho lindo ver dois homens de mãos dadas na rua. Por que estragar isso? Sempre fui assim, sem preconceito algum.”.