‘Não dá pra lutar pela liberdade pela metade’, diz o rapper Emicida, sobre ‘AmarElo’, clipe e música lançados nesta terça-feira (25), em parceria com Majur e Pabllo Vittar.

“É uma música pra te fazer refletir”, disse Emicida sobre a música ao site PopLine. A faixa é uma junção do poema “Permita que Eu Fale”, do próprio Emicida, e a um trecho de “Sujeito de Sorte”, do icônico compositor Belchior.

A canção fala de diversidade, luta, força e Pabllo Vittar e cantora não-binária Majur representam justamente essas classes. O vídeo para AmarElo começa com um áudio de WhatsApp em tom de desabafo. “Eu tenho que demonstrar que estou bem todo dia, mano. E nem todo mundo consegue estar bem todo dia”, diz o narrador. Em seguida, entra a voz de Belchior no sample da música Sujeito de Sorte, para então entrar em ação o trio.

As cenas do clipe foram gravadas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. E mostra a jornada da beira do abismo à glória. Para isso, usa imagens de artistas e atletas da favela que venceram apesar das condições desfavoráveis, enquanto a letra fala sobre o destino de quem luta contra a opressão, seja ela racista, classista ou de gênero (“Perder não é opção”, ele afirma a certa altura). O single será a faixa-título do próximo disco do rapper, previsto para o segundo semestre.

“Tô namorando esse sample do Belchior há uns três anos”, disse Emicida ao jornal o Globo. “Belchior é muito grandioso, esse trecho da é algo transcendental. Quando você pega algo assim você tem que fazer algo grandioso também. Essa letra teve oito versões, uma mais pra depressão, outra mais política. Mas chegou o momento que eu entendi que a energia da música era sobre força, ela precisava vibrar de maneira positiva. Estamos por baixo mas vamos vencer.”

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

“Quando você escuta o disco “Alucinação”, você vê que ele fala algumas coisas que são muito profundas. Ele cantava: “Um preto, um pobre, um estudante, uma mulher”. Hoje a gente tem um nome pra essas lutas, que são LGBT, antirracistas, feministas. Mas elas já estavam ali. Ou quando ele fala de “um rapaz delicado e alegre/ que canta e requebra”. “Alucinação” já era pra gente, como “Velha roupa colorida”, “Como nossos pais”. Porque assim como a moda e as séries de TV, as mazelas também insistem em fazer revivals “.

Trabalhar com Pabllo e Majur

“Desde que Pabllo chegou, a vi como símbolo de força, uma gigante. Vencer sorrindo é algo muito inspirador. Majur eu conheci num show na Casa de Francisca, dela com Hiran. Quando vi, a música foi me levando, estava na beira do palco e eles me convidaram para subir. Acabei cantando um pouco com eles. Ali mesmo, já chamei Majur pra estar com a gente no “AmarElo”, explica Emicida, que aproxima a causa negra e a causa LGBT. “Não dá pra lutar pela liberdade pela metade, ainda mais hoje. Em momento nenhum a letra faz referência à politica, mas não tem como não pensar no Brasil de 2019. Trazendo novamente Belchior, amar e mudar as coisas me interessa mais. Me conectar através do amor para mudar a realidade”.

Veja o vídeo: