Ainda me lembro do auê que causou o filme O Segredo de Brokeback Mountain quando foi lançado e ainda concorreu ao Oscar, menos de duas décadas atrás.

Desde a criação do cinema, no século XVIII, quase nunca a homossexualidade, transexualidade ou qualquer variação de orientação sexual e/ou identidade de gênero foi retratada na tela dos cinemas. Se trata de uma conquista bastante recente essa inclusão.  

Quando eu era adolescente e Brokeback Mountain foi lançado, era comum as pessoas deixarem o cinema no meio da sessão ao se darem conta de ser um enredo de amor gay. Desde então progredimos e foram vários os filmes LGBTs de sucesso, com cada vez mais público e menos preconceito ou surpresa por parte da audiência.

Dentre os meus favoritos estiveram Garota Dinamarquesa, Com Amor Simon, Moonlight, Tatuagem, Azul É A Cor Mais Quente, dentre vários outros, sem contar clássicos LGBTs lançados apenas para a TV, como Prayers For Bobby ou The Normal Heart. Mas ainda hoje, estas produções são raras se compararmos ao número de filmes “heterocisnormativos”.

Por isso é importante lembrarmos, como LGBTs, de valorizarmos sempre estas obras que trazem representatividade LGBT  na mídia, pra que seja algo cada vez mais produzido e natural, ajudando não apenas a nos vermos ali nas obras, mas também a educar a mente de muita gente contra o preconceito através da poderosa ferramenta que é o entretenimento.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

O mais recente representante – representando muito bem, diga-se de passagem – dessa categoria de filmes do Vale é Rocketman, o filme cinebiográfico que conta a vida do cantor Elton John.

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Figurinos extravagantes, sexo, drogas e rock&roll: Rocketman, o filme.

Estive na pre-estreia e preciso dizer que amei e também que todo LGBT deveria assistir por várias razões. Sendo assim, enumero aqui, tentando não fazer nenhum spoiler, algumas delas:

  1. A maneira real como o filme retrata a solidão do homem gay, que ainda é um fator atual, mas era ainda mais para a geração de Elton John. Como fica claro no filme, na época, não se tinha qualquer informação sobre LGBTs, você sequer tinha referências, quase não existia informação disponível como hoje. Praticamente não, literalmente, pois não existiam Direitos LGBTs e as relações eram vividas predominantemente de maneira escondida dos outros. Ainda temos resquícios disso tudo na sociedade de hoje e o filme ajuda muito a entender o contexto e as razões.
  2. O abuso de álcool e drogas para compensar essa mesma solidão, uma verdade para alguns LGBTs ainda hoje. Em determinada cena, mesmo em uma mansão cheia de gente que supostamente o adora, podemos sentir a solidão e vontade de fugir de tudo aquilo vivida por Elton John. Ser LGBT pode ser estar cercado de pessoas, mas ao mesmo tempo se sentir sozinho. Ele não sabia ali quem realmente gostava dele ou quem o “aceitava” por mero interesse ou conveniência. Até quando ele se assume para a mãe (ok, aqui um breve spoiler, não aguento! Siga por sua conta e risco!) o melhor conselho que consegue ouvir dela é: “Você vai morrer sozinho”. Felizmente, em 2019 podemos ver que ela estava muito errada e Elton hoje é casado há mais de 20 anos e tem uma família linda com seu marido David e seus dois filhos.
  3. A honestidade como são retratadas as cenas de sexo gay. Neste sentido, outros filmes recentes do gênero biográfico ficaram devendo e muito! Sem firula, sem corte pra agradar plateia conservadora ou uma versão mais family friendly, o filme de Elton John mostra tudo e com naturalidade, como se fosse uma descoberta do sexo hétero (e como deveria ser igualmente com o sexo gay nas obras audiovisuais), ainda assim, totalmente de acordo com a narrativa e sem apelação gratuita, vale ressaltar.
  4. As músicas são um show a parte, como era de se esperar de uma cinebiografia com músicas do Elton John, é claro. Dá muito orgulho ver um cara abertamente LGBT tão talentoso, tão incrível, com tantas músicas originais e de sucesso… Não tem como não se contagiar durante o filme com hits como Im Still Standing, Your Song, Dont Go Breaking My Heart, dentre vários outros.
  5. Os figurinos. Para a geração LGBT mais nova, que acha que Lady Gaga inventou a roda (sem desmerecê-la, ela é incrível!) em toda sua excentricidade, Elton no auge da sua carreira surpreendia ainda mais, tanto por ser um homem ousando desconstruindo seu visual masculino quanto pela época em que fazia aquilo, onde “lacrar” gerava muito mais crítica que like e biscoito. Rocketman reconstrói vários looks icônicos e únicos da carreira de Elton John.

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Aproveite e saiba mais curiosidades e intimidades da vida de Elton John no vídeo abaixo:

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).