O ator Pedro Henrique Müller agradeceu aos fãs pelo troféu recebido de ‘Cena do Ano’ do ‘Prêmio Gshow 2018’ com um texto lindo em sua conta no Instagram ao receber o trófeu em casa.

No Prêmio Gshow 2018, na categoria Cena do Ano, os atores Pedro Henrique Müller e Juliano Laham ganharam por votação popular por uma cena do casal #Lutavio.

Os dois viveram, respectivamente, os personagens Otávio e Luccino. A cena do beijo do casal na novela Orgulho e Paixão bombou e arrematou a disputa com 43 % dos votos.

Pedro Henrique Müller comemorou a vitória, agradeceu aos fãs e falou um pouco sobre a importância desse reconhecimento:

Oba! Acabou de chegar aqui o troféu de cena do ano da @gshow. E ele é muito significativo pra mim, porque sei o tanto de gente que votou na nossa cena. Acompanhei a mobilização toda no twitter pra que a gente ganhasse. São muitos os que se sentiram representados com a nossa novela. Eu cresci sem nenhuma referência de relacionamentos LGBTQIA+ na televisão. Não sabia que eram uma possibilidade porque esses relacionamentos não faziam parte das histórias que eu acompanhava. Os casais LGBTQIA+ tinham tramas quase sempre nulas e seus relacionamentos eram sempre muito secretos, conflituosos, problemáticos, isso quando abordados. Se não eram bem recebidos, as personagens logo morriam tragicamente em explosões de shoppings ou se transformavam em heterossexuais. Ufa.



Aproveite e assista:



Estavam curados, prontos pra serem reintegrados socialmente. Se eu fosse aquele mesmo adolescente que acompanhava essas histórias e me deparasse com as cenas de Luccino e Otávio em Orgulho e Paixão, eu tenho certeza que eu também iria ficar votando enlouquecidamente pra que ganhassem o prêmio de Cena do Ano. Eu chorei de alegria em saber que teria a oportunidade de contar uma história que eu daria tudo pra assistir quando era mais novo. Uma história de amor, de descoberta de afetos, carinho e cuidado. Teria me ajudado tanto! Teria ajudado a me entender, a conhecer a mim mesmo e ver que tava tudo bem em gostar de alguém do mesmo gênero. Que é a mesma coisa que gostar de alguém de outro gênero. Nao muda absolutamente nada. Nada! Tudo que a gente precisa nesse período tão turvo, tão violento com as minorias.

Que a gente se aproxime de histórias LGBTQIA+, para que elas façam parte do nosso imaginário, do nosso cotidiano, que elas estejam presentes, componham nossas subjetividades, para que sejam histórias possíveis, próximas e não distantes. Nossas histórias existem, nós existimos e queremos nos ver representados na TV, no teatro, no cinema, nas revistas, nos jornais, na publicidade. É sobre nossas vidas, é sobre o nosso existir no mundo. E isso é muito importante! Para que a gente possa viver. É sobre permanecermos vivos. Esse prêmio é sobre isso, pra mim, e por isso ele é o maior de todos.”

View this post on Instagram

Oba! Acabou de chegar aqui o troféu de cena do ano da @gshow. E ele é muito significativo pra mim, porque sei o tanto de gente que votou na nossa cena. Acompanhei a mobilização toda no twitter pra que a gente ganhasse. São muitos os que se sentiram representados com a nossa novela. Eu cresci sem nenhuma referência de relacionamentos LGBTQIA+ na televisão. Não sabia que eram uma possibilidade porque esses relacionamentos não faziam parte das histórias que eu acompanhava. Os casais LGBTQIA+ tinham tramas quase sempre nulas e seus relacionamentos eram sempre muito secretos, conflituosos, problemáticos, isso quando abordados. Se não eram bem recebidos, as personagens logo morriam tragicamente em explosões de shoppings ou se transformavam em heterossexuais. Ufa. Estavam curados, prontos pra serem reintegrados socialmente. Se eu fosse aquele mesmo adolescente que acompanhava essas histórias e me deparasse com as cenas de Luccino e Otávio em Orgulho e Paixão, eu tenho certeza que eu também iria ficar votando enlouquecidamente pra que ganhassem o prêmio de Cena do Ano. Eu chorei de alegria em saber que teria a oportunidade de contar uma história que eu daria tudo pra assistir quando era mais novo. Uma história de amor, de descoberta de afetos, carinho e cuidado. Teria me ajudado tanto! Teria ajudado a me entender, a conhecer a mim mesmo e ver que tava tudo bem em gostar de alguém do mesmo gênero. Que é a mesma coisa que gostar de alguém de outro gênero. Nao muda absolutamente nada. Nada! Tudo que a gente precisa nesse período tão turvo, tão violento com as minorias. Que a gente se aproxime de histórias LGBTQIA+, para que elas façam parte do nosso imaginário, do nosso cotidiano, que elas estejam presentes, componham nossas subjetividades, para que sejam histórias possíveis, próximas e não distantes. Nossas histórias existem, nós existimos e queremos nos ver representados na TV, no teatro, no cinema, nas revistas, nos jornais, na publicidade. É sobre nossas vidas, é sobre o nosso existir no mundo. E isso é muito importante! Para que a gente possa viver. É sobre permanecermos vivos. Esse prêmio é sobre isso, pra mim, e por isso ele é o maior de todos

A post shared by Pedro Henrique Müller (@pedro.henriquemuller) on

A cena marcou o primeiro beijo gay no horários das seis das novelas brasileiras. Nada mais representativo que o prêmio ser destinado ao beijo que quebrou barreiras e mostrou um romance lindo entre dois homens, ensinando o respeito a diversidade a um público mais velho e caseiro (e muitas vezes conservador!) acostumado a ver TV neste horário, né?