A primeira Parada LGBTQ+ da Aglomerado da Serra, maior favela de Minas Gerais, situada na Zona Sul de Belo Horizonte, foi cancelada pela Polícia Militar. O evento estava previsto para começar às 12h, quando as autoridades chegaram alegando não haver autorização para a realização da caminhada.

Os organizadores da parada apresentaram os documentos de liberação assinados pela BHtrans e pelo Batalhão de Trânsito da própria PM, porém o tenente responsável pela intervenção na comunidade, Antônio Vieira, disse que “O Batalhão de Trânsito autorizou, o da Serra, não”.

A advogada, professora de Direito e assessora jurídica do Observatório das Quebradas, Maíra Neiva Gomes, estava no local e lamentou o cancelamento repentino, apontando o caso como “segregação racial”.

“Mais uma vez, é a demonstração de que existe uma segregação racial no brasil e ela é institucional e estrutural. As autoridades interpretam como se os sujeitos de favela não fossem cidadãos no Brasil. Como se não fossem seres humanos, pessoas, portanto não são portadores de direitos”, disse Maíra, ao BHAZ.

Em nota, a organização da I Parada LGBTQ+ da Serra disse que a proibição do evento foi uma “violação do direito de livre manifestação”.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

“Esse fato ocorre em território periférico, o que demonstra que o Estado NEGA direitos humanos e o faz por adotar uma política racista, LGBTfobica, ressaltaram.

Leia a nota na íntegra:

A Organização da Parada LGBTQI da Serra vem por meio desta se manifestar contra a violação do direito de livre manifestação.

A Organização solicitou à Prefeitura de BH, a PM MG e ao CBMG as devidas autorizações para a realização do evento, nos termos e prazos estabelecidos pela legislação.

Apesar da solicitação ter sido efetuada com muita antecedência, a PM MG, de última hora, indeferiu o pedido.


A PM MG alegou que o indeferimento teria sido de decisão da PBH e está afirmou o contrário.

Solidariamente, o SindRede BH, Sindicato das Educadoras/és da rede pública municipal de BH, cedeu seu carro de som e fez a solicitação do evento novamente.

Hoje, na hora de início da concentração, a PM MG não autorizou o evento, apesar de se tratar do exercício de livre manifestação que, conforme a Constituição Federal, independe de autorização, bastando comunicação prévia.

Esse fato ocorre em território periférico, o que demonstra que o Estado NEGA direitos humanos e o faz por adotar uma política racista, LGBTfobica.

Na próxima semana, a Organização vai solicitar nova autorização e tão logo soubermos divulgaremos novamente.