O jornalista e escritor francês Frédéric Martel acaba de lançar o livro “Sodoma”, resultado de uma investigação de quatro anos nos bastidores do Vaticano. A revista Le Point desta semana traz uma entrevista com o autor e alguns trechos da publicação, que tem provocado polêmica dentro e fora da Igreja Católica.

 O novo livro do jornalista promete provocar um escândalo no Vaticano ao revelar a presença de diversos homossexuais nas hierarquias mais altas da Igreja Católica. Com 630 páginas, “Sodoma” será publicado no próximo dia 21 de fevereiro, em oito idiomas diferentes e 20 países. A obra narra o resultado de uma investigação nos bastidores do Vaticano. Ao todo, Martel entrevistou 1500 religiosos, entre eles 41 cardeais, 52 bispos e 45 núncios apostólicos.  

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

“O Vaticano tem uma das maiores comunidades homossexuais do mundo”, diz o jornalista em entrevista à revista “Le Point”, ressaltando que este é o “segredo mais bem guardado” da Igreja.  

VEJA TAMBÉM:  Olá, amigues! Ana Paula Padrão conta por que adotou linguagem de gênero neutro

Na reportagem, Martel batiza o Vaticano de “Fifty Shades of Gay”, um trocadilho com o livro “50 tons de Cinza”. Segundo ele, “lá dentro há várias categorias de gays”.  “Tem os que não praticam e respeitam os votos de castidade, tem os que vivem mal sua homossexualidade e tentam se curar, tem alguns que vivem em relações estáveis com seus companheiros, que eles apresentam como um assistente ou um cunhado e tem aqueles que multiplicam os parceiros ou apelam para a prostituição”, revelou.

No livro, o autor explica que há um “sistema gay” dentro da Santa Sé que só foi possível ser descoberto porque ele se tornou muito próximo de alguns religiosos durante a investigação. “A partir do momento que você está no coração do sistema, acaba sendo convidado aos jantares e não é mais visto como um jornalista, e sim como um amigo”, acrescenta Martel, que é gay assumido.

No entanto, à revista Le Point, ele afirma que “é evidente que as agressões sexuais não são restritas aos homossexuais”.  

VEJA TAMBÉM:  Papa Francisco revela: "Inferno não existe"

Por fim, ele conta que obteve ajuda de quatro pessoas próximas ao papa Francisco, que estavam cientes de seu projeto. Na entrevista fica subentendido que o Pontífice seria favorável às revelações. O papa argentino estaria querendo acabar com uma certa hipocrisia dentro da instituição, já que, segundo o livro, boa parte dos líderes religiosos gays seriam os mesmos que comandam a pauta mais conservadora do Vaticano, como a luta contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A publicação do livro coincidirá com a mesma data em que inicia a cúpula convocada pelo Pontífice, no Vaticano, para tratar sobre abuso sexual contra menores dentro da Igreja Católica.