Iustração: Marina Sansão Fortes

Hoje retomaremos um assunto que até hoje protagoniza a pauta sobre a saúde LGBTQI+: o HIV. Graças aos avanços, a forma como tratamos e prevenimos o vírus mudou de forma expressiva. 

Tivemos o relato recente de dois casos, totalizando já três, de cura do HIV por meio de um transplante de medula óssea (que produzem nossas células de defesa) no tratamento de câncer. Como há a substituição dos linfócitos CD4 que são as células infectadas pelo HIV, o vírus também é eliminado do organismo. Ainda é cedo para pensarmos nesse tratamento como forma de cura do HIV em larga escala, mas são resultados animadores para pesquisas futuras nesse aspecto.

Seguindo nesse tema, vamos falar sobre algumas estratégias que devem ser adotadas por casais sorodiferentes por meio de um FAQ (perguntas mais frequentes) com o a ajuda do médico infectologista Pedro Campana @pepecampana

1- Quando um casal é sorodiferente, há o risco de transmissão para o parceiro que não possui o vírus?

No caso de casais sorodiferentes, ou seja, uma pessoa sem HIV e uma paceria com HIV, o risco de transmissão depende de um fator muito importante: a quantidade de vírus no sangue. Caso a pessoa que vive com hiv esteja em tratamento, com carga viral indetectável no sangue, o risco de transmissão não existe. Vários estudos já comprovaram essa teoria e recentemente a Secretaria de Saúde de São Paulo liberou uma nota informativa a respeito do assunto, reiterando a intransmissibilidade nesses casos. 

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2- Um casal sorodiferente pode ter filhos biológicos sem transmitir o vírus um para o outro? E há o risco de transmissão para o bebê?

Sim. A carga viral indetectável faz com que a pessoa que vive com HIV não transmita o vírus, nem para a parceria, nem para o bebê. Todavia, alguns cuidados no nascimento da criança são necessários, como uso de medicação específica na hora do parto e para o bebê durante um determinado período.

3- É necessário usar camisinha sempre? E o parceiro que não possui o vírus precisa realizar a profilaxia pré-exposição (PrEP)?

A estratégia da prevenção combinada é a mais indicada no que se refere ao HIV. Parte da prevenção se faz com o tratamento de pessoas que vivem com HIV. Além disso, recomenda-se a camisinha sempre que possível devido ao risco de outras ISTs e gravidez. A PrEP está indicada pelo Ministério da Saúde para casais sorodiferentes, sendo um bom arsenal preventivo nesses casos.