Primeira transexual a fazer pós-doutorado em astrofísica na Universidade do Arizona, onde atualmente trabalha como pesquisadora (sim, porque ela tem dois pós-docs); a brasileira (e carioca sangue bom) Vivian Miranda é a única em um projeto da Nasa que está desenvolvendo um satélite avaliado em US$ 3,5 bilhões. Vivian, que nasceu Vinicius, conta que as mudanças aconteceram aos poucos e que acredita que isso tenha facilitado a aceitação. Não foi aquele choque repentino, ontem Vinicius, hoje, Vivian. Como ela mesma diz, foi tudo muito bem planejado.

Vivian começou seu processo de transição de gênero aos 28 anos, pois segundo a mesma, já não aguentava mais, o sofrimento era grande demais. As roupas e acessórios femininos vieram com o tempo até a consolidação com a mudança de nome. Ela lembra que o apoio dos companheiros americanos foi unanime e que isso fortaleceu a nova caminhada que se iniciava. Entretanto, em contrapartida, os companheiros do Brasil demonstraram a surpresa de uma maneira que deixou-a desconfortável, chegando a chamar o processo de radical ou que prejudicariam as minhas chances de passar em concurso porque machismo existe.

Para a astrofísica, que recorda que desde a infância tinha o desejo de mudar de gênero, “Há o discurso de que a academia brasileira é ideologizada, de que lidar com transexualidade e abrir caminho para pesquisadores e professoras trans é uma patologia brasileira. A maneira como fui tratada nos Estados Unidos mostra que o respeitar pessoas trans é só uma questão de ser civilizado”.