Na semana passada, o cantor Vitão respondia pergunta de fãs quando um perguntou se ele já teve curiosidade de ficar com homens.

Sem insegurança quanto a própria sexualidade, Vitão não hesitou e respondeu: “Já tive curiosidade. Nunca chegou o momento, mas se um dia tiver vontade, vou ficar”. Foi só o que era preciso para os comentários da publicação virarem um festival de preconceito com homens bissexuais.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Assista ao momento no vídeo abaixo postado pelo portal Alfinetei:

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Vocês pegariam o Vitão?

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Como lembrou o portal Universa, é curioso constatar como mulheres heterossexuais, que tanto clamam por liberdade sexual, direito ao próprio corpo e até diversidade, reproduzem machismo e bifobia quando se trata de respeitar homens bissexuais.

“Homem de verdade não tem essas curiosidades não!”, “Essa coca é fanta!” e “Pelo som do berimbau, esse c* vai levar p**” foram alguns dos comentários principalmente do público feminino reagindo à declaração.

Na sociedade, a bissexualidade masculina ainda é muito menos considerada do que a feminina (provavelmente pela segunda ser um fetiche de muito homem que aceita por conveniência aos próprios desejos e não respeito).

Não à toa, da sigla LGBT, uma pesquisa já revelou que bissexuais são os que tem, proporcionalmente, mais pessoas no armário. É lógico. Se você é um homem bissexual, poucas mulheres heterossexuais respeitam sua orientação e consideram você um homem gay mal resolvido, enquanto entre homens heterossexuais, muitos acham que você está em uma fase ou só brincando.

Ao invés da desconstrução de Vitão em assumir seus desejos e possibilidades sem tabú e sem medo, ser visto como algo positivo, a sociedade ainda vê como algo negativo ou digno de chacota. Como se outros homens não tivessem seus próprios desejos e curiosidades… Não à toa a sociedade é tão hipócrita e tudo acaba rolando de qualquer forma escondido. Ou o que mais tem em aplicativos de encontros gays não seriam o monte de previsíveis “hétero no sigilo”.

Vitão e Luísa Sonza (Foto: Reprodução / Instagram)
Vitão e Luísa Sonza (Foto: Reprodução / Instagram)

Freud já afirmava em seus estudos que a bissexualidade era algo inerente ao ser humano ao menos afetivamente, ou seja, que todo mundo pode construir relações de afeto tanto com homem quanto com mulher e isso não deve ser considerado problema.

Quanto ao desejo sexual, em 1948 o biólogo e sexólogo americano Alfred Kinsey criou a escala Kinsey, que propunha uma graduação de 0 a 6 em que em 0 o sujeito era exclusivamente heterossexual e em 6 exclusivamente homossexual. A sexualidade humana é muito mais uma gama de tons de cinza do que um “preto ou branco”.

Novamente reproduzindo uma citação da matéria do portal Universa sobre o caso Vitão: “Parece que o fato do cara apenas cogitar que pode um dia ter desejo por outro homem é uma ferida na honra dessa mulher, uma traição do protocolo?”.

Na sociedade de hoje ainda, a mulher bissexual muitas vezes já é vista como livre, desconstruída, desimpedida… Já homem bissexual é visto como um gay que não teve coragem de sair do armário completamente.

A bissexualidade ainda vem com estigma da traição em relacionamentos monogâmicos. Como se uma relação entre duas pessoas heterossexuais fosse qualquer garantia de fidelidade/exclusividade sexual… Como se heterossexual traindo o parceiro não fosse a coisa mais comum do mundo… Honestidade não tem nada a ver com orientação sexual da pessoa!

Não só por Vitão, mas por todos. É preciso que haja menos ignorância, menos estigma e mais respeito em relação a pessoas bissexuais, que acabam muitas vezes não conseguindo se situar em relacionamentos heterossexuais e nem em relacionamentos homossexuais justamente por essa falta de consciência.

Uma dica? Os vídeos abaixo pode te ajudar a ser menos ignorante e entendê-los:

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).