Um discurso do papa Francisco no último domingo (26) – que era pra ser inclusivo e até a favor da diversidade – acabou gerando diversas interpretações e críticas por parte de ativistas LGBTs.

Enquanto voltava da Irlanda para Roma, o papa foi questionado sobre o que devem fazer os fiéis quando crianças manifestarem tendências homossexuais ou mesmo, ainda cedo, se assumam para os pais.

A recomendação do pontífice foi para que não se condene a criança, mas sim haja diálogo, e que os pais busquem ajuda de um psiquiatra para dar o atendimento adequado ao filho, o que em suma não seria tão ruim, uma vez que é um consenso no mundo médico e da psiquiatria que a homossexualidade é uma tendência natural de parte da população.

“Quando isso se manifesta desde a infância, há muitas coisas a fazer, pela psiquiatria, para ver como são as coisas. É uma outra coisa quando isso se manifesta depois dos 20 anos”, afirmou o papa.

Acontece que a fala gerou para muitas pessoas, uma ligação da homossexualidade a uma doença psiquiátrica que precise de tratamento. Após a repercussão negativa da fala, o Vaticano retirou, nesta segunda-feira (27), a referência a “psiquiatria” dada pelo papa Francisco, afirmando que o pontífice não quis abordar o tema como “doença”.

Por meio de seu porta voz, o Vaticano afirmou: ”Quando o papa se refere à ‘psiquiatria’, é claro que ele faz isso como um exemplo que entra nas coisas diferentes que podem ser feitas.

Mas, com essa palavra, ele não tinha a intenção de dizer que se tratava de uma doença psiquiátrica, mas que talvez fosse necessário entender como são as coisas no nível psicológico”, acrescentou o porta-voz.

O curioso – e que ainda fica sem explicação – é a diferença de tratamento que a fala do papa dá a uma criança que manifeste sinais de homossexualidade ou um adulto depois dos 20 anos. Aí passa a ser pecado? Complicado…

Vale lembrar que de qualquer forma, mesmo com uns close errados ali e umas ressalvas aqui, o o papa Francisco, é de longe, o papa mais inclusivo da história da Igreja Católica. Seu primeiro posicionamento público como papa sobre homossexualidade inclusive foi o de “não julgar”, o que já é um grande avanço para o conservador e milenar Vaticano.

Internamente também se sabe que Francisco sofre pressão por uma ala conservadora expressiva do Vaticano que é contra sua postura mais aberta e inclusiva em relação a temas progressistas.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).