A Universidade de Ochanomizu, de Tóquio no Japão, que só aceita estudantes do gênero feminino, anunciou esta semana que começará a permitir a matrícula de mulheres trans estudantes a partir de abril de 2020.

Ela segue os passos da Universidade Feminina do Japão (JWU), que ano passado prometeu aceitar mulheres trans que se submeteram à cirurgia de redesignação sexual (um erro! cirurgia não torna ninguém mais ou menos trans! O físico é apenas um reflexo e varia de pessoa para pessoa. A questão da transexualidade está na mente antes de tudo).

A Ochanomizu entretanto, não colocará qualquer condição específica como cirurgia ou documentação corrigida para o ingresso de mulheres trans.

“É inédito para uma universidade feminina do Japão aceitar estudantes transexuais que são homens em seus registros familiares”, disse um funcionário do Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia ao jornal The Yomiuri Shimbun.

Com o movimento, outras universidades do país estão sinalizando estarem considerando a questão. Tanto a Faculdade Feminina de Gakushuin quanto a Universidade de Tsuda, a Universidade Cristã de Mulheres de Tóquio e a Universidade Feminina de Nara, já afirmaram estarem colocando o assunto em discussões internas.

No Japão, o processo de transição de uma pessoa trans é bastante burocrático e complicado. Para serem reconhecidas, pessoas trans precisam de autorizações médicas e judiciais, algo que no Brasil já foi derrubado felizmente.

As pessoas devem também se esterelizar e passar por uma cirurgia de redesignação sexual cujo custo é inacessível a boa parte da população: cerca de 1 milhão de ienes (ou U$ 8.900 dólares).
Em 2015, o Ministério da Educação do Japão (MEXT) emitiu uma ordem para instituições de ensino para melhorar a inclusão de pessoas trans.

Uma das sugestões na ordem pedia às escolas que permitissem que os alunos usassem o uniforme que correspondesse à sua identidade de gênero.

Desde então, muitas escolas têm trabalhado na criação de uniformes neutros de gênero para permitir que os alunos se sintam mais confortáveis.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).