A universitária Ana Paula Andrade Cruz, que cursa o 8º período do curso de Psicologia da UNIVALI, em Itajaí, SC, decidiu expor um professor denunciando-o à Universidade.

O motivo? Ele tem uma bandeira LGBT+ em casa, e que as vezes aparece ao fundo em aulas a distância. É só isso mesmo. Em seus Stories do Instagram, Ana – que parece estudante de qualquer área, menos psicologia (ou saberia que orientação sexual faz parte da diversidade humana e não há nada de condenável nisso) – considera absurdo o professor ter o objeto em sua própria casa e exibí-lo.

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Alegando (como sempre) “liberdade de expressão”, ela diz que sofre preconceito por ser cristã e acusa o professor de “ideologia e doutrinação”: “Bem vindo às instituições de ensino onde eles podem militar por absolutamente tudo e você tem que se calar. Pense bem onde vai colocar seu filho”, diz um story compartilhado por ela, onde exibe também um print do professor onde pode-se ver a bandeira LGBT+ logo atrás.

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O que Ana parece ignorar é que, ao contrário do que alega em sua denúncia, NINGUÉM pode impedir alguém de ter um crucifixo exibido em casa, por exemplo. Da mesma maneira que uma bandeira LGBT+. Principalmente por se tratar de um local privado. Se alguém tentou impedir crucifixo na casa de algum professor via EAD, quem foi e quando? Isso seria totalmente inconstitucional! Aliás, sabe onde é exibido livremente crucifixo, mesmo sendo parte de um Estado Laico? Em tribunais e várias órgãos públicos brasileiros…

Segundo denúncia feita ao Põe Na Roda, o professor retirou a bandeira LGBT+ que tinha em sua própria casa e as vezes aparecia ao fundo durante suas aulas via EAD. Não se sabe ainda se foi a pedido da Universidade ou pelo constrangimento imposto pela aluna.

E o que não ficou claro é: o que tem de errado ter uma bandeira LGBT+? Será que o Conselho Federal de Psicologia está de acordo com esta decisão, censura e LGBTfobia (crime, diga-se de passagem) imposta pela Universidade ao professor?

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O mais curioso é uma estudante do oitavo semestre de psicologia não entender que a sua liberdade religiosa não pode interferir na realidade de outro. É um total desconhecimento de lei – sendo que LGBTfobia é crime no Brasil – e também um total desconhecimento da própria Psicologia, uma vez que a diversidade sexual é totalmente entendida e natural segundo a própria ciência. Será que Ana faltou às aulas da UNIVALI ou a UNIVALI que não forma profissionais capacitados para exercer a psicologia?

Como será que a UNIVALI aprovou uma aluna durante mais de 8 semestres sem saber um princípio básico da profissão? Mais do que aulas de psicologias, Ana parece precisar é de um profissional de psicologia para se consultar!

E o Conselho Federal de Psicologia, será que vai emitir registro quando Ana finalmente se formar?

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O Põe Na Roda tentou contato com a UNIVALI e não obteve retorno das ligações.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).