Um crime de transfobia terrível chocou a Itália. Um homem trans ficou gravemente ferido e sua noiva, uma mulher cisgênero, foi morta por seu próprio irmão transfóbico. O motivo? Ele – que não aceitava o relacionamento da irmã com um homem trans – disse à polícia que queria “lhe dar uma lição”.

Maria Paola Gaglione, 22, estava em uma motocicleta com o noivo, Ciro Migliore, rumo à casa deles em Acerra, uma cidade no sul da Itália, no dia 11 de setembro, quando seu irmão, Michele Antonio, apareceu surpreendeu ambos chegando sem avisar de carro.

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Michele começou a seguir os dois, disseram os investigadores do crime de transfobia, e começou a bater no veículo deles, fazendo com que derrapassem e caíssem.

Segundo informou a família de Maria à imprensa italiana, seu irmão reprovava seu relacionamento com um homem trans. Parentes também alegaram que a morte dela foi um “acidente” e que Michele não tinha essa intenção ao bater com o carro na moto.

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Transfobia de Antonio Michele (ao centro) matou Anna Paola Gaglione (à esquerda) e feriu seu noivo trans Ciro Migliore (à direita). (Foto: Reprodução / Instagram)
Transfobia de Antonio Michele (ao centro) matou Anna Paola Gaglione (à esquerda) e feriu seu noivo trans Ciro Migliore (à direita). (Foto: Reprodução / Instagram)

Quando os investigadores perguntaram a Michele por que ele bateu na moto de sua irmã e do noivo, ele disse sem rodeios: “Eu queria lhe dar uma lição, mas não matá-la”, assumindo a transfobia extrema ao ponto de não aceitar o relacionamento da irmã.

As autoridades que chegaram ao local disseram que encontraram a vítima já inconsciente. Seu noivo sobreviveu ao acidente, mas teve um braço fraturado e vários hematomas pelo corpo. Michele foi preso pela polícia e ainda deve responder pelo crime e ter sua sentença definida pela Justiça.

Em uma postagem de partir o coração no Instagram, Ciro Migliore lembrou de sua noiva, com quem se relacionava há três anos, como alguém que ele nunca deixaria de amar:  “Não consigo imaginar minha vida sem você”, escreveu ele na publicação que teve mais de 11 mil comentários em solidarieadade e centenas de milhares de curtidas em apoio.

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“Não posso. Eu não consigo mais dormir, eu penso em você, meu amor, eu sinto sua falta, eu sinto tanto sua falta”, completou ele no post desabafando sobre a falta que a amada lhe fará.

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Amore mio.., oggi sono esattamente 3 anni di noi, 3 anni. A prenderci e lasciarsi in continuazione.. avevo la mia vita come tu avevi la tua.. ma non abbiamo mai smesso di amarci.. dopo 3 anni ti stavo vivendo ma la vita mi ha tolto l’amore mio più grande la mia piccola. Non posso accettarlo perché Dio non mi ha chiamato me? Perché proprio a te amore mio.. non riesco più a immaginare la mia vita senza te.. non ci riesco. Non riesco più a dormire penso a te 24 su 24 amore mio, mi manchi, mi manchi tantissimo. Eri l’unica per me, l’unica che mi amava veramente. Non posso accettarlo ancora.. non ci riesco. Mi mancano le tue carezze.. mi manca quanto mi svegliavi la mattina a darmi fastidio. Mi manca tutto di te., non ho mai smesso di amarti dal primo giorno che ti ho vista.., Ti amerò sempre piccola mia.💔🖤

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O chefe do Comitato Provinciale Arcigay Di Napoli Onlus, uma ONG regional LGBT da Itália, disse que ficou chocado com o incidente: “Este é um caso hediondo em que se manifestam duas violências graves: o assassinato de uma mulher e um ato de transfobia”.

Falanga completou dizendo que este que foi um dos “casos mais explícitos” de transfobia que já testemunhou, lembrando a dimensão da raiva e impunidade que ainda impera em relação a transfobia na sociedade.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).