A Tanzânia, na África Oriental, está favorecendo o aumento de novos casos de HIV no país, reprimindo as pessoas LGBT+ e até impedindo as organizações de saúde de fazer seu trabalho de prevenção.

Um novo relatório da Human Rights Watch – divulgado pelo portal GayStarNews – documenta uma repressão generalizada a pessoas LGBT+ desde 2016 no país da África Oriental.

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Pra se ter ideia, o Ministério da Saúde da Tanzânia fechou os centros de atendimento que realizavam testes de HIV e até proibiu organizações de distribuir gel lubrificantes à população. Vale lembrar que o lubrificante à base de água é essencial para ajudar na prevenção de ISTs para homens gays e bi, por favorecer uma prática do sexo anal mais segura e sem lesões.

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O Ministério da Saúde alega que as organizações que tentam prevenir o HIV e fornecer lubrificante estão ‘promovendo a homossexualidade’.

A polícia da Tanzânia também invadiu reuniões e sessões de treinamento realizadas por ativistas da saúde e dos direitos LGBT+ e seus aliados. Esses ataques estão deixando as pessoas com medo de acessar a prevenção do HIV.

Em novembro de 2018, o funcionário regional Paul Makonda ameaçou prender todos os gays em Dar es Salaam. O Banco Mundial e diplomatas estrangeiros se opuseram. Em resposta, o Presidente Magufuli assegurou ao Banco Mundial que a Tanzânia não adotaria tais políticas, mas somente após a chantagem.

Mesmo assim, segundo denúncias, apesar dessa promessa, prisões e ações policiais continuaram. O vice-ministro de Assuntos Internos, Hamad Masauni, pediu publicamente a prisão de gays enquanto visitava Zanzibar em setembro de 2019.

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A lei que pune homossexualidade na Tanzânia data dos tempos coloniais. A polícia chegou a recomendar a profissionais médicos antiéticos a fazerem exames anais forçados para coletar ‘evidências’ de relações homossexuais. Esses exames não têm base científica, são cruéis, desumanos, degradantes e oficialmente uma forma de tortura.

O relatório da Human Rights Watch divulgou hoje seu novo relatório e exige mudanças. O documento se chama: Se não conseguirmos serviços, morreremos: a repressão anti-LGBT da Tanzânia e o direito à saúde.

Neela Ghoshal, pesquisadora sênior de direitos LGBT da Human Rights Watch, disse: “As autoridades da Tanzânia organizaram um ataque sistemático aos direitos das pessoas LGBT, incluindo seu direito à saúde”.

E completou: “As autoridades tanzanianas devem garantir que mais um tanzaniano seja preso por ser gay ou trans – ou por participar de uma sessão de educação sobre o HIV. Medidas concretas adiante também devem incluir a proibição de exames anais forçados e a reforma das políticas de saúde, para que sejam baseadas em evidências e não em preconceitos”.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).