A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou, nesta terça-feira (22), o governo do presidente Donald Trump a impedir a contratação de militares transgênero, à espera de que a Justiça se pronuncie em apelação sobre esta questão delicada. Trump tinha pedido à mais alta instância judicial do país para intervir com urgência antes que os tribunais de primeira instância proibissem seu bloqueio a novas contratações.

O governo tinha argumentado, em nome do presidente, que manter a política de abertura implementada por seu antecessor democrata Barack Obama era “um grande risco para a eficácia e a potência letal dos militares”. Nesta terça, a Suprema Corte decidiu, por nove votos a cinco, suspender as decisões dos tribunais enquanto espera o pronunciamento das cortes de apelação. Os quatro juízes progressistas se opuseram a essa decisão.

O presidente Obama tinha previsto que o exército americano começasse a contratar militares transgênero a partir de 2017. O governo de Trump primeiramente adiou a medida até janeiro de 2018, e, mais tarde, decidiu revisar completamente esta política. O mandatário republicano argumentou sua decisão, em uma sequência de tuítes em julho de 2017, com “a carga dos custos médicos enormes” e as “perturbações”.

Calcula-se que entre 2,5 mil e 7mil pessoas transgênero sirvam em diversos setores das Forças Armadas dos Estados Unidos. Cerca de 250 militares estão em processo de transição para seu gênero escolhido ou tiveram aprovada formalmente a mudança de gênero com a equipe do Pentágono, de acordo com autoridades do Departamento de Defesa. Indivíduos transgêneros podem servir abertamente no serviço militar desde 2016, quando o antigo secretário de Defesa Ash Carter encerrou uma proibição existente.