Segundo informações coletadas pelo GGB (Grupo Gay da Bahia), o suicídio entre LGBTs cresceu quase quatro vezes desde 2016 no Brasil.

Desde 2016 a instituição faz o levantamento das mortes causadas por suicídios, além de contabilizar os casos de mortes LGBTfobia.

Pra se comparar, em 2016 foram registrados 26 casos de suicídio LGBT no país contra 100 casos em 2018.

O levantamento não traz dados específicos sobre suicídios por região ou Estado, mas Téo Cândido, coordenador do Centro de Referência LGBT da Prefeitura de Fortaleza Janaína Dutra, destaca que cerca de 20% dos atendidos na unidade relataram ter sofrido adoecimento mental.

Dados do Ministério da Saúde revelam que o suicídio é a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil, conforme também informou o jornal Diário do Nordeste.


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De todo público, no recorte LGBT há seis vezes mais chance de se cometer o ato, de acordo com a revista científica americana “Pediatrics”.  Ainda entre LGBTs, o risco de suicídio é 21,5% maior quando estes convivem em ambientes hostis à sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Grande parte dos 100 casos de LGBT aos quais o levantamento do GGB se refere foi pesquisada em “páginas de obituários que relatam mortes e perfis das vítimas nas redes sociais”. 

“Os dados disponibilizados pelo GGB dialogam com um contexto de pouca notificação. É uma organização civil que pauta a problemática, justamente pelas pouquíssimas informações. O suicídio entre LGBTs é extremamente subnotificado, o que perpetua a alarmante invisibilidade desse público”, aponta Téo Cândido, do Centro Janaína Dutra.

A coordenadora geral do Centro de Valorização da Vida (CVV) em Fortaleza, Rejane Felipe, alerta que o suicídio é a idealização de que não há mais como solucionar os problemas. “LGBTs têm ainda mais propensão, passam por muita rejeição da própria sociedade em aceitá-los. Outra preocupação é com o fato de falar de suicídio ainda ser tabu”, defende. Ela lembra a importância de se observar sinais indicadores, que envolvem mudança de comportamento, frases como “não sirvo para nada”, e “não aguento mais esta carga”.

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).