Durante vídeoconferência com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, Yekaterina Lakhova, ex-parlamentar e chefe do Sindicato das Mulheres da Rússia, acusou uma sorveteria de promover a propaganda LGBT+ ao utilizar o arco-íris em uma propaganda.

De acordo com a BBC, Lakhova afirmou que ao anunciar o novo sorvete, o “Rainbow”, a marca estava “promovendo discretamente” as cores e que isso poderia tornar as crianças russas mais familiarizadas e receptivas ao movimento LGBT+. 

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

A sindicalista então exigiu que Putin defendesse os “valores tradicionais” e comparou o movimento LGBT+ ao nazismo: “Eu não gosto do arco-íris, assim como não gosto da suástica”.

Putin alegou que não tem problema com a homossexualidade, apenas com a sua propaganda. Ele também disse que “se há razões para acreditar que se trata de propaganda de valores que não são tradicionais para nós, então deve ser gerenciada pela sociedade, mas não de forma agressiva”.

A sorveteria acusada afirmou que a propaganda não tem relação com a comunidade LGBT+ e que “nossa empresa defende as relações familiares tradicionais e discorda categoricamente de Lakhova. Acreditamos que o arco-íris é a luz do sol depois da chuva, e não a bandeira LGBT”, disse Armen Beniaminov, vice-presidente da marca. 

Falando nisso, veja no vídeo abaixo uma entrevista com um LGBT Russo:

Beniaminov ainda acrescentou que apoia as medidas LGBTfóbicas de Putin e relatou ter votado a favor das emendas constitucionais que proibiram o casamento igualitário. “Como pai de uma família numerosa, votei abertamente nas emendas constitucionais especificamente porque uma delas defende os valores tradicionais”, afirmou.

O caso gerou preocupação entre os jornais locais. O popular diário Moskovsky Komsomolets sugeriu sarcasticamente que o arco-íris agora deve ser proibido de aparecer depois que chove na Rússia, e que o Ministério da Defesa pode ser convocado para combater qualquer arco-íris desonesto, “caso contrário as crianças os verão!”

O jornalista Andrei Loshak adotou uma visão mais séria da situação, acusando Putin de tentar usar a homofobia “como uma ferramenta populista eficaz”. “Alguém diz a ele que os tempos mudaram e os russos aceitam mais os direitos dos gays”, apontou.