Na última quinta-feira (30), aconteceu a colação de grau dos formandos de Pedagogia e Psicologia da Universidade Federal de Goiás (UFG). Na ocasião, a Professora Doutora em História, Miriam Bianca Amaral Ribeiro, foi paraninfa da turma de pedagogia e discursou contra o governo Bolsonaro.

Prepare o seu coração para as coisas que eu vou contar. Paulo Freire, Paulo Freire, Paulo Freire”, foram com essas palavras que a Drª Miriam iniciou seu discurso politizado. Não é de hoje que o educador Paulo Freire é alvo frequente de críticas públicas do presidente homofóbico Jair Bolsonaro, o qual já chamou o educador de energúmeno.  Sem papas na língua a professora continuou:

“Porque se alguém acha que não se pode falar em PAULO FREIRE em uma colação de grau, saiba que a universidade pública e gratuita só existe porque pessoas como Paulo Freire não abrem mão do direito de todos em acessar o conhecimento produzido pela humanidade. Porque reconhecem que ele pertence a todos como uma ação histórica, social e infinita dos seres humanos. ”, discursou ressaltando a importância do educador na educação.

Vale lembrar, que em dezembro do ano passado, na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro atacou Paulo Freire dizendo que o educador é um ídolo de esquerda.

“Tem muito formado aqui em cima dessa filosofia desse Paulo Freire da vida, esse energúmeno aí, ídolo de esquerda. Olha a prova do Pisa, estamos em último lugar do mundo”, disse o presidente, que se equivocou na informação, pois o Brasil ficou em 59ª entre os 79 países no ranking mundial de educação.

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Sem medo, a sensata professora afirmou que estamos vivendo sobre o fascismo, e que defender a escola e a saúde pública, pode custar a vida daqueles que defendem. Também afirmou que o fascista com seu discurso convence e torna a violência sem limites.

 “…Estamos sobre o neofascismo, que de novo nada tem. Tempo em que defender a escola e a saúde pública, é defender a vida e pode custar a nossa. Porque os fascistas, eles matam, incentivam, naturalizam, riem e debocham do extermínio de seres humanos. É sobre esse tempo, sob esse tempo que vocês, pedagogos e psicólogos vão exercer o seu ofício. O fascista faz sua propaganda, mente acintosamente, depois que convence, a violência é institucional e sem limites. Quem nos ensina isso é Hannah Arendt. 

Jantando os fascistas, a historiadora também afirma que o fascismo está presente em nosso atual cenário político, por ser um governo homofóbico, machista, racista, misógino e que odeia pobre. Neste momento do discurso a professora foi novamente aplaudida e ovacionada por todos presentes.

“O Fascismo está em curso num governo em que se diz que índio não é gente, que ter filha é uma vacilo, e que a pobreza é que desmata para comer. Um governo homofóbico, machista, racista, misógino, que odeia pobre”, afirmou a professora.

“Um governo, um governo que elogia o nazismo, que matou, o nazismo que matou 8 milhões de pessoas, é um governo nazista. Um governo que premedita o descontrole diante do ENEM, está agindo para matar a Universidade. Coloca-se num lugar de milhares de jovens e suas famílias, sem saber o que será, sem saber como se defender, já estão esgotados de uma concorrência brutal, para entrar numa universidade que deveria ser capaz de abraçar a todos…”, continuou ela, fazendo menção aos erros cometidos pelo governo no ENEM e SISU.

Também fez críticas ao desemprego e a reforma da previdência, dizendo que a aposentadoria virou ficção. Além disso, Miriam defendeu mais uma vez a educação, falando que escolas estão sendo fechadas e que isso é um crime.

“Sobreviver não está fácil, porque o desemprego não está acabando.  Só cresce o trabalho precarizado e a aposentadoria virou ficção. Em Goiás, o coronelismo, de 180 anos, não arreda do poder. Os direitos dos servidores públicos foram saqueados no final de dezembro.  Escolas estão sendo fechadas, isso é um crime. A escola não é deles, a escola é do povo, a escola é o lugar de juntar gente, de conviver, pra ler, pra jogar, pra brincar, pra reunir, pra discutir a vida, o país, o passado e o futuro. Em Goiânia, a reordenação das escolas, tirou carga horária de centenas de profissionais, mas Bechior nos ensina: “o que transforma o velho no novo, bendito fruto do povo será”, criticou ela.

Caminhando para o final do discurso, a historiadora aconselha os formandos a levar para o trabalho a luta contra qualquer tipo de preconceito, porque a desigualdade não é natural. Além disso, criticou mais uma vez o governo Bolsonaro, quando diz para os jovens formandos não desistam de enfrentar a violência, porque a pátria é AMADA e não armada – fazendo alusão ao decreto de Bolsonaro que regulamenta o uso e o porte de armas no país.

“Esperamos ter dividido isso com vocês nesses anos de convivência. Leve para o seu trabalho, a luta incansável contra qualquer tipo de preconceito, porque a desigualdade não é natural e se foi construída por humanos, também pode ser destruída por nós. Não desista de enfrentar a violência, porque é pátria AMADA, não é pátria ARMADA.”

Para finalizar a professora cita o hino nacional, a canção ‘Coração Civil’ de Milton Nascimento e aconselha os formandos a amar a vida.

“Você não estará sozinho, nós vamos juntos. Do hino, do hino que a gente escutou, fique com: “VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE A LUTA’. Leve a alegria de cada coisa que se ensina e se aprende. Nada nos alegra mais que a igualdade, o respeito a diversidade e a solidariedade. Ame, ame a vida, ame a sua, a do outro, a de todos e cada um. Vai valer a pena, porque temos um projeto que Milton nascimento resumiu assim: ‘Quero a liberdade, quero o vinho e o pão, quero ter alegria, quero amor, prazer, quero minha cidade sempre ensolarada, os meninos e o povo no poder, eu quero ver’.”, finalizou a professora sensata e anti-bolsonaro, que ganhou inúmeros gritos e palmas.

Assista o discurso da Profª. Drª Miriam na íntegra:

Maikon Stefan
Amante do teatro, tv e de Harry Potter, formado em Técnico em Administração e Bacharel em Ciência e Tecnologia (UNIFESP-SJC). Atualmente cursa Engenharia de Materiais (UNIFESP-SJC). Também foi Presidente da Empresa Júnior (Ectm Jr). "Me chama pra causar que eu vou".