O fim desta quarta-feira (16) na São Paulo Fashion Week (SPFW) foi marcada pelo protesto do modelo Sam Porto (25), primeiro homem trans a desfilar no evento.

Ele tirou a camisa para mostrar as cicatrizes deixada pela mastectomia e exibiu a mensagem “Respeito trans” ao desfilar para a grife Cavalera.

Em entrevista ao Jornal de Brasília, Sam contou detalhes de sua trajetória profissional e pessoal inclusive durante o processo de mastectomia. Há dois anos, ele trabalha como modelo, mas apenas para marcas que ele conhecia pessoalmente. “Não queria entrar em uma agência porque tinha medo de ser confundido com uma pessoa andrógina e ser colocado com o casting de mulheres”.

“Sempre fui assim, me vestia com roupas de menino. Meus pais até tentaram que eu usasse roupas femininas, mas à medida que fui crescendo eles começaram a respeitar a forma em que eu me sentia confortável para me vestir”, afirmou.

Porém, após começar a tomar hormônios e a tirar os seios, há um ano e meio, ele deixou a cidade natal, Brasília, para se profissionalizar como modelo. Ao ser convidado para fazer parte da agência Rock MGT, Sam fez uma exigência. “Queria ser apresentado pelo meu booker como homem transgênero. Se não fosse assim, eu não entraria.”

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Apesar do posicionamento bem resolvido, Sam entende que não é todo mundo que pode se sentir à vontade em carregar a plaquinha de “transgênero” o dia inteiro. “Falo que sou privilegiado porque meus pais me apoiam, tenho uma boa ‘passabilidade’. Por isso respeito quem não quer bater no peito em relação a isso.”

Sobre sua participação na semana de moda mais importante do país e por ser um dos primeiros homem trans a desfilar no evento ele disse: “Tenho consciência de que é uma responsabilidade muito grande. A importância do corpo trans masculino no SPFW, se define total em representatividade e inclusão, nós existimos e também somos consumidores. Temos que ser respeitados e precisamos ser representados com um corpo que é real e tem a vivência de fato.”

Para encerrar ele, deixou um conselho para os meninos e meninas trans que também sonham em chegar a trabalhar como modelos profissionais: “Não se calem, não deixem que ninguém passe por cima ou que tente nos camuflar de alguma forma; nós existimos e precisamos primeiramente nos unir para conquistar o nosso espaço, precisamos de voz e representatividade em todos os meios. Força, continuem. Hoje eu estou aqui e vou continuar, mas ainda faltam muitas referências, principalmente de pessoas negras, travestis etc. Não desistam!”