Aos oito anos de idade, finalmente o menino Enzo pode dizer que tem uma família que o dá sustento, amor, carinho e educação.

Mais da metade da sua vida foi em um abrigo para crianças abandonadas pelos pais. Sua adoção acabou de ser confirmada e a partir de agora ele terá dois pais, inclusive com o sobrenome deles atualizado em seu registro.

O juiz Felipe Jales Soares, da Vara de Família, Sucessões, Infância e Juventude e 1ª Cível da comarca, julgou procedente o pedido de adoção de Enzo feito por Kairon Patrick Oliveira da Silva e Sílvio Romero Bernardes Fagundes, em uma decisão, no fórum de Águas Lindas de Goiás, que emocionou a todos na ocasião: o juiz, promotor e todos os envolvidos no processo, que assistiram emocionados.

O caso de Enzo é mais um dos muitos de casais homossexuais que sonham em constituir família com filhos e conseguem através da justiça, algo felizmente cada vez mais comum.

Acontece que seu processo de adoção chamou atenção por um motivo específico. Antes de ter sua adoção confirmada, ele já foi rejeitado por outras três famílias: a sua biológica e duas adotivas que pretendiam adotá-lo e desistiram.

O motivo para o abandono? O menino havia sido diagnosticado com transtorno de deficit de atenção e hiperatividade. Ao saberem da situação, Kairon e Sílvio decidiram enfrentar a questão e adotar o garoto mesmo assim.

“Também não fui uma criança fácil. Se minha mãe tivesse desistido de mim eu não teria me tornado o que sou hoje. Na verdade, o que faltava para Enzo era amor e disciplina e ele não teve isso das outras famílias”, relatou Sílvio, um de seus novos pais.

Foi um processo demorado a obtenção da guarda, em que o garoto já começou a conviver com a nova família. Todo convívio revelou melhora no comportamento e na saúde do garoto.


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Sobre ter dois pais, o garoto leva numa boa: “Meus pais são ótimos para mim e eu amo muito eles”, falou Enzo. Segundo os dois pais, o garoto entende sua nova estrutura familiar e nunca sofreu preconceito por ser filho de um casal homoafetivo.

“Ele já se deparou com crianças com a mesma estrutura familiar dele e sempre fala que tem dois pais. Ele é bem resolvido quanto a isso”, disse Kairon. Ao relatar toda a experiência, Sílvio afirmou que o preconceito está muito mais nos adultos do que nas crianças.

Para o juiz Felipe Levi, não há dúvida de que a adoção atende ao melhor interesse de Enzo, conforme o artigo 43 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Portanto, a procedência do pedido é a melhor medida a ser tomada. No caso de Enzo, durante todo o período que estava no abrigo, o menor passou por altos e baixos, enfrentou situações que muitos adultos não teriam condições de suportar. (continua abaixo)

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“Durante esses mais de quatro anos, nos ensinou a nos esforçarmos para melhor trabalhar e aguardou a chegada de sua família. E a espera valeu a pena. Como se pode verificar de toda instrução do processo, não resta dúvida que ele recebeu a melhor de todas as famílias”, afirmou.

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).