Sempre na dianteira do mundo e historicamente pioneiro quanto a questões de Direitos Humanos e diversidade, o Reino Unido vai realizar em 2020 um festival pra celebrar a existência dos LGBTs muçulmanos de seu território.

Esta não é a primeira iniciativa do tipo na terra da rainha, que já tem outras Paradas LGBTs bem específicas, como a Trans Pride (que celebra o Orgulho Trans), a Black Pride (que celebra o orgulho negro e LGBT), a Bi Pride (que celebra o orgulho bissexual) e ainda a Bear Pride (que reúne os ursos e seus adoradores), além é claro, da Parada LGBT oficial em diversas cidades.

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“Então agora teremos a Parada LGBTQI Muçulmana celebrando e reconhecendo a existência da diversidade entre esta comunidade”, disse Joy Muhammad, que é uma das organizadoras do evento.

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Joy é integrante do Imaan, um grupo de LGBTs muçulmanos que pretende arrecadar 10 mil libras através de uma vaquinha online para fazer o festival acontecer.

“É importante realizar eventos do tipo por sermos uma minoria dentro da minoria que sofre ainda mais invisibilidade e abusos. Existe a islamofobia dentro da comunidade LGBT também”, disse ela.

“Além disso, há muitos LGBTs muçulmanos que não se aceitam, tendo que escolher entre a religião e sua própria sexualidade”, lembrou.

Reunião muçulmana na Black Pride de Londres.

Joy garante que pessoalmente não encontra qualquer problema entre unir ambos os mundos e reconhecer que entre muçulmanos – como em qualquer cultura do mundo – também existem LGBTs.

A homossexualidade é contra a lei em alguns países do Oriente Médio – onde o Islã é mais comumente praticado. No início deste ano, Brunei, por exemplo, quase tornou o adultério e o sexo entre homens como crime punido com a morte. Acabaram voltando atrás da decisão após uma forte campanha reunindo grandes marcas e celebridades internacionais contra o país conservador propondo boicote às famosas redes de hoteis de Brunei que se encontram pelo mundo.

Muçulmanos LGBTs reunidos e protestando na Parada LGBT de Londres.

Os planos para um festival LGBT muçulmano também são bem-vindos pelo diretor de cinema Almass Badat, de 28 anos, membro do grupo muçulmano LGBTI + Hidayah.

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“Quando eu era criança, lembro-me de procurar muito por alguém que se parecesse comigo. Eu me sentia um estranho.“, diz Almass ao Newsbeat.

Cartazes “Sou gay, muçulmano e existo!” e “Alá ama a todos”.

“É muito bom quando você entra em um espaço e pode ver alguém que talvez seja como você ou tenha os mesmos valores. Eu vou para o Pride e também para o Black Pride e provavelmente também para o Muslim Pride”, disse.

“Comprima Kebabs e não gêneros!”, diz cartaz.

“Saio da solidariedade, também do apoio a mim mesmo, para construir a comunidade, há tantos aspectos positivos em apenas interagir e entender isso dentro de um grupo de pessoas”.

Uma vaquinha online para arrecadar fundos para a realização do evento foi feita. A data da celebração em 2020 ainda está para ser definida, mas acredita-se que deva acontecer no mês de junho, junto com a Parada LGBT oficial, como já acontece com a Trans Pride, a Black Pride, a Bi Pride e a Bear Pride.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).