Dados do LGBTQ Teen Study, nos EUA, revelou que jovens transgêneros, não-binários e genderqueers correm riscos de abuso sexual caso estudem em escolas com restrições de uso de banheiro.

O estudo mostra informações de uma pesquisa anônima feita pela internet, onde 3.773 adolescentes norte-americanos foram entrevistados. As descobertas foram publicadas na última segunda-feira (06), na revista Pediatrics.

As informações apontaram que 1 em cada 4 já foi vítima de abuso sexual nos últimos 12 meses. Os números foram ainda maiores entre os estudantes não-cisgênero. Quase 4 em cada 10 destes entrevistados sofreram agressões.

Os pesquisadores definiram, portanto, a situação como quando professores ou funcionários desses locais impedem os alunos de usar os banheiros ou vestuários que correspondem às suas identidades de gênero.

“Infelizmente, o acesso das crianças aos banheiros e vestiários tornou-se muito politizado em algumas comunidades”, disse Gabriel Murchison, doutorando na Escola de Saúde Pública de Harvard e principal autor do estudo, em entrevista à CNN.

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O pesquisador ressaltou ainda que os estudos não apontam que as restrições são as causadoras das agressões, que são apenas associações. “Elas são certamente um forte indicador de ambientes onde as crianças correm risco”, frisou.

Esse tipo de atitude pode conscientizar os jovens LGBTQs sobre seu status de minorias de gênero, tornando-os mais propensos a se tornarem vítimas, segundo Gabriel.

Em 2016, o debate sobre o tema virou pauta nacional. Nesse mesmo ano, os departamentos de Justiça e Educação dos Estados Unidos divulgaram orientações de que as instituições de ensino do país devem tratar os jovens transexuais de acordo com as suas identidades de gênero.

À época, a Suprema Corte ouviu o caso de Gavin Grimm, estudante trans que processou uma escola da Virgínia depois que funcionários do local se recusaram a deixá-lo usar o banheiro correspondente à sua identidade de gênero.

Gavin Grimm — Foto: Reprodução

No entanto, após a saída de Obama do governo, que apoiava o fato, a Suprema Corte decidiu abandonar o caso, pois Trump revogou o apoio aos estudantes transexuais.

As políticas adotadas pelas escolas transfóbicas solidificam o ambiente escolar hostil em todo o mundo.