Uma história bizarra e difícil de entender tomou os noticiários internacionais pela acusação de envolvimento de uma conhecida professora lésbica e também feminista, com um aluno gay do curso de pós-graduação no qual ela dava aula.

A professora, que lecionava na Universidade de Nova York (NYU), Avital Ronnel, acabou sendo suspensa de suas atividades profissionais após a Universidade ter conhecimento da acusação do aluno, Niemrod Reitman, que diz ter sido assediado por ela.

A investigação está sendo conduzida pelo Escritório de Igualdade de Oportunidades de NY, que considerou a professora como culpada por contato físico inadequado e envio de mensagens com contexto sexual para o aluno.

Niemrod afirmou que, além de forçar intimidade, ao longo dos três anos de curso, o que começou em 2012, a professora chegou a tocá-lo e o beijá-lo sem o seu consentimento.

Segundo ele, tudo começou quando a professora o convidou para ir a Paris por alguns dias. O rapaz, que é gay e casado, aceitou o convite dizendo inicialmente não ter desconfiado das intenções.

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Ele afirma que pouco depois de chegarem, ela pediu a ele que lesse poesia e depois o puxou para a cama: “Ela colocou minhas mãos em seus seios e ficou pressionando minhas nádegas”, disse ele em depoimento afirmando que a professora também beijou suas mãos e o tronco.

O rapaz só entrou com a queixa em 2017. Nas mensagens mostradas ao juiz, a professora chamava o aluno de “cock-er spainel, meu mais adorado, doce, fofinho e baby”.

A professora negou as acusações de contato sexual em sua totalidade, alegando que as mensagens eram “comunicações exageradas” devido a herança étnica de ambos.

“Nossas comunicações – que Reitman agora alega que constituíram assédio sexual – foram entre dois adultos, um homem gay e uma mulher queer, que compartilham uma herança israelense, bem como uma propensão por comunicações exuberantes surgindo de nossas origens e sensibilidades acadêmicas comuns”, alegou ela.

E acrescentou: “Essas comunicações foram repetidamente convidadas, respondidas e encorajadas por ele durante um período de três anos.”

A suspensão da professora de suas atividades profissionais se deu em maio. Logo após, diversos docentes da Universidade de Nova York, que admiravam a profissional, organizaram uma carta assinada por 50 acadêmicos – dentre eles, a influente teórica de gênero Judith Butler primeira signatária, o filósofo neomarxista Slavoj Zizek e o teórico cultural e literário Gayatri Chakravorty Spivak – acusaram uma suposta “intenção maliciosa” do garoto, garantindo o comportamento e as contribuições da professora, pedindo sua readmissão na instituição por toda contribuição já dada.

Já o rapaz diz agora que está decidindo se vai processar a Universidade e os professores pela acusação.

O porta-voz da Universidade, John Beckham, disse que tinha grande apreço pela professora, mas não devam tomar partido em relação ao processo.

O caso repercutiu principalmente no meio de movimentos feministas, que em tempos de campanha #MeToo, estão discutindo como lidar com um caso tão atípico em que é uma feminista que supostamente teria assediado um rapaz gay.

E vocês… entenderam? Por que eu não, sinceramente…

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).