O que era para ser uma ida de emergência ao hospital se tornou em algo muito maior e aterrorizante. Um casal gay teve seus dois filhos levados pela polícia russa após uma denúncia feita pelo médico que atendeu a família.

Os advogados dos rapazes descreveram a situação como “aterrorizante”. A identidade dos envolvidos não foi revelada devido à segurança de cada um.

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Em junho, os pais levaram um de seus filhos adotivos para um hospital em Moscou para tratar de um caso suspeito de apendicite. No entanto, o médico descobriu que se tratava de um casal gay e os denunciou para o Comitê de Investigação da Rússia.

O órgão processou os assistentes sociais que aprovaram a adoção das crianças, acusando “negligência”, e também ordenou às autoridades que retirassem os meninos da casa dos pais.

Um mês depois, a situação piorou. As autoridades do Comitê tentaram revistar o apartamento do casal e de sua família várias vezes. Em uma dessas invasões, os investigadores derrubaram as portas das residências e interrogaram o pai de um deles por mais de três horas.

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A Rússia decidiu que a adoção viola a lei de “Propaganda Gay” do país, introduzida em 2013, que proíbe a representação positiva de pessoas LGBTQ+ nos meios de comunicação.

Um dos pais da criança adotou os dois meninos em 2010, uma vez que casais formados por pessoas do mesmo sexo não estão autorizados a realizar o procedimento na Rússia, mas indivíduos solteiros estão.

De acordo com o advogado de defesa da família, a agência responsável pelo processo de adoção realizou inúmeras visitas à casa deles e registraram que ambos cuidavam muito bem dos garotos.

“Os vizinhos do casal estavam presentes durante a busca. Eles fizeram comentários à mídia, em que disseram apenas coisas boas sobre a família”, disse. “Segundo eles, eles não notaram nenhum sinal de problema, as crianças cresceram em um ambiente inteligente e calmo, e os pais cuidaram dos filhos perfeitamente”, concluiu.

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Uma ativista que luta pelos direitos das pessoas LGBTQ+ na Rússia disse que esta foi a primeira vez que o país usou a lei da “propaganda gay” para justificar a remoção de crianças de casas de família.

De acordo com ela, um psicólogo que avaliou a família não encontrou qualquer evidência de abuso, agressão ou descuidado. “O psicólogo relatou uma conexão emocional saudável e próxima entre pais e filhos”, contou a ativista ao Gay Star News.

Para ela, essa situação é “assustadora”. “Após a aprovação da chamada lei ‘propaganda gay’ em 2013 em nível federal, ficou claro que essa lei seria uma ferramenta de opressão da comunidade LGBTQ+”.

A ativista ainda alertou que “a única coisa que as pessoas LGBTQ+ podem fazer para estarem completamente seguras é ficar invisíveis, esconder sua orientação sexual e identidade de gênero para estar em seus ambientes sociais”, disse.

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Fonte: Gay Star News.