Diversos grupos LGBTs emitiram notas de repúdio à Polícia Militar do Paraná, que publicou recentemente um edital de concurso público para polícia militar, e dentre os requisitos das vagas, estava “masculinidade”.

A Aliança Nacional LGBTI e o Grupo Dignidade lembraram em suas notas que, além de machista e sexista, a exigência desconsidera que mulheres também sejam candidatas a cadete ou quer delas tal aspecto definido como “masculinidade”, o que significa um “retrocesso discriminatório”.

Em suma, isso significaria no entendimento da PM, que mulheres ou pessoas sem uma atitude estritamente masculina não teriam a coragem ou comprometimento necessário a um profissional de segurança pública.

Uma visão extremamente antiga, machista, paternalista e binária de mundo, bem de acordo com… o século passado. Do tempo em que “ser homem” significava “ter coragem”, “honestidade”, “ser correto”… algo que sabe bem quem tem a cabeça no século XXI, que não corresponde necessariamente ao homem, mas diz respeito a caráter e integridade INDEPENDENTE do gênero da pessoa.

A nota da Aliança Nacional LGBTI e Grupo Diversidade, afirma em repúdio:

“Entendemos que a exigência, entre diversos equívocos, desconsidera a possibilidade de mulheres candidatas a cadete, ou quer que elas também tenham características de “masculinidade”, e que, portanto, é um retrocesso discriminatório e permeado por machismo, chauvinismo, patriarcalismo, sexismo, binarismo de gênero, heteronormatividade… Fere a Declaração Universal de Direitos Humanos e a Constituição Federal Brasileira no que diz respeito à igualdade de todas as pessoas, além de estar na contramão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ONU) em relação ao alcance da igualdade entre os gêneros. Ademais, segue uma tendência demasiadamente preocupante de recrudescência de valores que beiram o fascismo e ameaçam a própria democracia no Brasil.”

É bom lembrar a PM do Paraná inclusive, que uma mulher inclusive, ou qualquer pessoa que fuja do dito estereótipo masculino – principalmente homens – é preciso acima de tudo coragem para existir neste mundo predominantemente machista, onde nestas condições, você passa por muito mais preconceito e precisa se provar muitas vezes, diferente das pessoas cujas características e personalidades são mais masculinas.


“Preocupa, ademais, a percepção de incorporação de critérios que refletem o patriarcado e a heteronormatividade compulsórias, marcadores sociais subalternizantes, autorizando exclusões arbitrárias”, diz a nota da RENOSP-LGBT.

Além das entidades, houve manifestação pessoal também de diversos integrantes das corporações de segurança pública, como o PM Leandro Prior, além de muitos integrantes do Instagram da RENOSP-LGBT.

Os grupos pedem à governadora do Paraná, Cida Borghetti (PP) e à Coronel Audilene Rosa de Paula Dias Rocha, Comandante-Geral da PM-PR, que o edital seja revogado. A nota também pede posicionamentos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e dos conselhos Federal de Psicologia e Regional de Psicologia do Paraná sobre o conteúdo do edital.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).