Durante o programa Conexão Repórter do SBT, Renato Nobile, o policial militar que teria postado ameaças de morte ao PM Leandro Prior, dizendo que este deveria “morrer na pedrada” só por ser de ume orientação sexual diferente da sua, afirmou em ligação telefônica com a produção do programa, que tudo não passou de uma armação que fizeram contra ele, e que seu facebook provavelmente foi invadido por hackers.

Ao programa, o PM Renato Nobile ainda afirmou nunca ter tido qualquer problema com gênero, homem ou mulher (?) na vida, que está sendo perseguido e não faz ideia de quem postou aquilo nas suas próprias redes sociais.

“Aquilo” é o print abaixo, uma ameaça de morte no perfil do policial militar integrante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da Polícia Militar (PM) de São Paulo. Ele deseja a morte a pedradas de seu colega de profissão, Leandro Prior, apenas por ele ser gay:

Alguém aí acredita? Deve ter hacker homofóbico com tempo sobrando, heim? A polícia podia aproveitar que existe uma delegacia de crimes cibernéticos e provar então quem foi o tal hacker autor da ameaça homofóbica, que inexplicavelmente quis prejudicar um PM gay e um PM homofóbico ao mesmo tempo. RISOS.

Aliás, seria uma ótima investigação, já que, comprovada a mentira, o PM homofóbico não apenas vão ser comprovados o crime de discriminação, como crime de ameaça de morte e também crime por ter mentido a própria PM ao alegar que foi hackeado… Olha que lindo, um policial militar cometendo 3 crimes? Peraí, PM gay é problema mas PM fazendo a própria corporação de trouxa, pode? É o que fica parecendo…

Ou claro, caso se prove que ele foi mesmo hackeado, a investigação deverá punir o responsável por 2 crimes.

Leandro Prior é policial militar e sofreu desde comentários homofóbicos a ameaças de morte dentro e fora da corporação da Polícia Militar, após alguém ter gravado ele dando um selinho no namorado no transporte público, o vídeo ter viralizado e virado prato cheio para que pessoas mal resolvidas consigo, cheias de ódio e preconceito manifestassem suas indignações nas redes sociais simplesmente pelo fato da PM ter um membro gay em sua corporação.

Um adendo pessoal agora: Imagino o que diriam estas mesmas pessoas ao saber que EU, por exemplo, já conheci: 1 soldado gay do exército, 1 PM gay, 1 policial civil homem trans e hetero, 1 policial civil homem trans e gay e 1 policial federal gay.

Essa gente acha que gays vivem em uma redoma de vidro onde toca Lady Gaga o dia todo? Olha, pra não viver ao lado dessa gente preconceituosa e opressora, muitos até preferiam, mas o fato é que LGBTs FAZEM PARTE DA SOCIEDADE. TODA SOCIEDADE. Inclusive da polícia. Simples assim.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que, se Leandro sofrer alguma represália, não será por homofobia, mas apenas pela conduta de beijar uma pessoa usando farda e estando armado. Ok até aí. Mas como pode essa mesma Polícia Militar – que considera como falta um simples beijo – simplesmente ignorar o desrespeito a uma regra muito mais grave por outro policial? Como fica a traição do principal juramento de um policial militar – que provavelmente consentiu a isto ou não seria policial militar – de defender a vida humana acima de tudo?

Como pode alguém que jurou à Polícia defender a vida, postar publicamente (e gratuitamente!) ameaças de morte? E pior, ameaças de morte motivadas apenas por uma orientação sexual diferente de uma outra pessoa, um colega de trabalho de sua própria corporação.

O policial militar criminoso (sim! homofobia no Estado de São Paulo é crime querido, Lei 10.948) simplesmente traiu o juramento fundamental de qualquer membro da Polícia Militar.

Como esperar que uma polícia destas defenda a população? Defenda a minha ou a sua vida? É pra este tipo de gente que a gente pede ajuda quando precisa de defesa? É pra este tipo de defesa que a gente paga impostos sustentando a polícia militar? Sim, pasmem! LGBTs não só vivem na mesma sociedade que vocês como pagam os mesmos impostos!

Depois de tantas perguntas sem resposta, fica complicado dizer que não tem homofobia na Polícia Militar…

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).